Gestação Gemelar Monocoriônica: Riscos e Manejo

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 26 anos de idade, está em sua primeira gestação, com idade gestacional de 10 semanas e 1 dia. Hoje, retorna ao pré-natal para mostrar os resultados dos exames solicitados na primeira consulta. Nega comorbidades ou uso de medicações. A ultrassonografia evidenciou uma gestação gemelar, sendo que uma de suas imagens pode ser vista a seguir: Considerando a imagem da ultrassonografia de gestação inicial dessa paciente, qual é a corionicidade e a amnionicidade desta gestação e qual orientação deve ser dada à paciente com relação aos riscos da gestação que ela pode apresentar?

Alternativas

  1. A) Gestação monocoriônica diamniótica. O compartilhamento desigual da área placentária pode levar ao desenvolvimento de restrição de crescimento fetal seletiva.
  2. B) Gestação monocoriônica diamniótica. Na presença de anastomoses placentárias, pode evoluir para sequência anemia-policitemia e, mais raramente, para síndrome de transfusão feto-fetal.
  3. C) Gestação dicoriônica. A mortalidade perinatal é muito maior nas gestações gemelares, devido principalmente às complicações decorrentes da prematuridade.
  4. D) Gestação dicoriônica. Nas gestações gemelares são mais frequentes as inserções anômalas de cordão umbilical, inclusive com aumento de prevalência de vasa prévia.

Pérola Clínica

Gestação gemelar monocoriônica diamniótica (1 placenta, 2 bolsas) → risco de restrição de crescimento fetal seletiva e STFF.

Resumo-Chave

A imagem ultrassonográfica de uma gestação gemelar com uma única placenta e duas bolsas amnióticas indica uma gestação monocoriônica diamniótica. Este tipo de gestação apresenta riscos específicos devido ao compartilhamento placentário, como a restrição de crescimento fetal seletiva e a síndrome de transfusão feto-fetal.

Contexto Educacional

A gestação gemelar representa um desafio obstétrico significativo, com maior risco de complicações maternas e fetais em comparação com gestações únicas. A determinação precoce da corionicidade e amnionicidade, idealmente no primeiro trimestre por ultrassonografia, é o passo mais importante para o manejo adequado, pois define o perfil de risco da gestação. A fisiopatologia das complicações em gestações gemelares monocoriônicas (que compartilham uma única placenta) está intrinsecamente ligada à presença de anastomoses vasculares na superfície placentária. Essas anastomoses podem levar a um fluxo sanguíneo desequilibrado entre os fetos, resultando em condições como a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) ou a Restrição de Crescimento Fetal Seletiva (RCFs). O manejo de gestações monocoriônicas diamnióticas requer monitoramento ultrassonográfico mais frequente para detectar precocemente sinais de STFF, RCFs ou outras complicações. A intervenção pode variar desde a observação até procedimentos intrauterinos, como a fotocoagulação a laser das anastomoses placentárias, dependendo da gravidade e do tipo de complicação.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar gestações gemelares monocoriônicas de dicoriônicas na ultrassonografia inicial?

A corionicidade é determinada pela visualização da membrana intergemelar e da inserção placentária. Gestações dicoriônicas apresentam o sinal do "lambda" (ou "twin peak"), enquanto as monocoriônicas apresentam o sinal do "T" na inserção da membrana na placenta.

Quais são as principais complicações associadas à gestação monocoriônica diamniótica?

As principais complicações incluem a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF), a Restrição de Crescimento Fetal Seletiva (RCFs), a sequência anemia-policitemia e o risco de óbito de um dos fetos com sequelas neurológicas para o sobrevivente.

O que é a Restrição de Crescimento Fetal Seletiva (RCFs) e como ela se manifesta?

A RCFs é uma complicação da gestação monocoriônica onde um feto apresenta crescimento restrito em comparação com o outro, devido a um compartilhamento desigual da área placentária e/ou anastomoses vasculares desequilibradas. Manifesta-se por discordância de peso fetal e, em casos graves, alterações no Doppler.

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