UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020
Paciente, M.S.P., 32 anos, chega à consulta pré-natal com idade gestacional de 10 semanas, considerando-se a data da última menstruação. Sem queixas. Refere gestação espontânea. Exame ultrassonográfico realizado no dia anterior a essa consulta mostra gestação gemelar de 10 semanas, pela medida do comprimento cabeça-nádega (CCN), com dois embriões, estando cada um deles em um saco gestacional independente. Com base exclusivamente nas informações fornecidas, é CORRETO afirmar que se trata, obrigatoriamente, de gestação
Dois sacos gestacionais independentes em gemelar = obrigatoriamente dicoriônica e diamniótica.
A presença de dois sacos gestacionais distintos em uma gestação gemelar indica que cada feto possui sua própria placenta (dicoriônica) e seu próprio âmnio (diamniótica), independentemente de serem monozigóticos ou dizigóticos.
A gestação gemelar é uma condição que exige atenção especial devido ao maior risco de complicações maternas e fetais. A classificação da gestação gemelar baseia-se na corionicidade (número de placentas) e amnionicidade (número de âmnios), que são determinantes cruciais para o prognóstico e manejo. A corionicidade é o fator mais importante, pois gestações monocoriônicas (uma única placenta) estão associadas a riscos significativamente maiores de complicações específicas, como a síndrome de transfusão feto-fetal (STFF), restrição de crescimento intrauterino seletiva (RCIU-s) e anomalias congênitas. A fisiopatologia da gemelaridade pode ser dizigótica (dois óvulos fertilizados por dois espermatozoides, sempre dicoriônica diamniótica) ou monozigótica (um óvulo fertilizado por um espermatozoide, com divisão posterior do zigoto). A corionicidade e amnionicidade em gestações monozigóticas dependem do momento da divisão: divisão precoce (até 3 dias) resulta em dicoriônica diamniótica; divisão entre 4-8 dias resulta em monocoriônica diamniótica; divisão entre 9-12 dias resulta em monocoriônica monoamniótica; e divisão após 13 dias pode levar a gêmeos unidos. O diagnóstico ultrassonográfico precoce, idealmente no primeiro trimestre (11-14 semanas), é fundamental para determinar a corionicidade e amnionicidade, utilizando marcadores como o sinal do 'lambda' (dicoriônica) ou do 'T' (monocoriônica). O tratamento e acompanhamento de gestações gemelares variam conforme a corionicidade. Gestações dicoriônicas diamnióticas geralmente têm um prognóstico mais favorável, mas ainda requerem vigilância para prematuridade e restrição de crescimento. Gestações monocoriônicas exigem monitoramento mais intensivo e frequente devido aos riscos de STFF e outras complicações, podendo necessitar de intervenções intrauterinas. A compreensão dessas classificações é vital para o manejo adequado e a otimização dos resultados perinatais.
A determinação da corionicidade é crucial para o manejo da gestação gemelar, pois gestações monocoriônicas apresentam maior risco de complicações específicas, como síndrome de transfusão feto-fetal e restrição de crescimento seletiva.
A corionicidade é melhor avaliada no primeiro trimestre, idealmente entre 11 e 14 semanas de gestação, através da visualização do sinal do 'lambda' (dicoriônica) ou do sinal do 'T' (monocoriônica) na ultrassonografia.
Sim, se a divisão do zigoto ocorrer nos primeiros 3 dias após a fertilização, resultará em uma gestação monozigótica dicoriônica diamniótica, com dois sacos gestacionais e duas placentas.
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