SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2022
C.S.S., 23 anos, GI PI 1N A0, deu entrada no PSGO com história de dor abdominal intensa de início súbito. Estava em acompanhamento com curva de beta HCG. Há 7 dias, beta HCG 1547,0, sem evidência de gestação intrauterina, ovários identificados e sem alterações, porém não identificadas massas em regiões anexiais. Solicitado novo beta HCG há 5 dias de 1297,0. Ao exame físico: FC: 108 bpm, PA 100 × 50 mmHg, hipocorada +/4+. Abdome: dor à descompressão brusca positiva; ao toque vaginal bimanual: dor à palpação de fundo de saco vaginal posterior. Assinale o diagnóstico mais provável para o caso dado.
Gestação ectópica rota → dor abdominal súbita + instabilidade hemodinâmica + beta HCG em queda/platô + USG sem gestação intrauterina.
A gestação ectópica rota é uma emergência ginecológica que cursa com dor abdominal intensa e súbita, frequentemente associada a sinais de choque hipovolêmico devido ao hemoperitônio. A queda ou platô do beta HCG com ausência de gestação intrauterina e achados de dor ao exame físico são altamente sugestivos.
A gestação ectópica é a implantação do ovo fertilizado fora da cavidade uterina, sendo a tuba uterina o local mais comum. A gestação ectópica rota é uma complicação grave, responsável por significativa morbimortalidade materna, especialmente em países em desenvolvimento. Sua prevalência é de cerca de 1-2% das gestações, e a ruptura ocorre quando o crescimento do embrião excede a capacidade de distensão do local de implantação, levando a sangramento interno. A fisiopatologia envolve o sangramento para a cavidade peritoneal, resultando em dor abdominal intensa e sinais de irritação peritoneal. O diagnóstico é baseado na tríade clássica de dor abdominal, amenorreia e sangramento vaginal, associada a sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão, hipocromia) e achados ultrassonográficos de gestação extrauterina e/ou líquido livre na cavidade. A curva de beta HCG que não dobra em 48h ou que apresenta queda é sugestiva de gestação inviável. O tratamento da gestação ectópica rota é uma emergência cirúrgica. A estabilização hemodinâmica é prioritária, seguida de laparoscopia ou laparotomia para remoção da gestação ectópica e controle do sangramento. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo crucial a suspeita clínica em mulheres em idade fértil com dor abdominal e instabilidade.
Os sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e súbita, sangramento vaginal, tontura, síncope, taquicardia, hipotensão e dor à palpação abdominal ou ao toque vaginal.
A queda ou platô do beta HCG indica uma gestação inviável, o que é comum na gestação ectópica. Em casos de ruptura, a diminuição da produção hormonal pode ser observada, embora o diagnóstico seja primariamente clínico e ultrassonográfico.
A conduta inicial é estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos, avaliação ultrassonográfica de emergência para confirmar hemoperitônio e gestação ectópica, e preparo para intervenção cirúrgica imediata (laparoscopia ou laparotomia).
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