Gestação Ectópica Rota: Diagnóstico e Manejo de Urgência

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 23 anos dá entrada ao pronto atendimento com atraso menstrual de 6 semanas, com dor abdominal e sangramento via vaginal. Ao exame, apresenta PA 80x50 mmHg, FC 118bpm, abdome com descompressão brusca positiva, especular com sangramento em pequena quantidade, toque vaginal com colo impérvio e dor à manipulação de anexo esquerdo. A dosagem de BHCG é de 6.800 e o ultrassom não evidencia saco gestacional intrauterino. Há moderada quantidade de líquido livre em fundo de saco posterior. Qual o diagnóstico e a conduta a ser tomada?

Alternativas

  1. A) Gestação ectópica rota - Realização de laparotomia exploradora.
  2. B) Abortamento em curso – Realização de curetagem.
  3. C) Abortamento retido – Repetir BHCG em 48h.
  4. D) Gestação em curso com descolamento ovular – Prescrever analgésicos.

Pérola Clínica

Atraso menstrual + dor abdominal + sangramento + choque + líquido livre em fundo de saco + USG sem saco intrauterino = Gestação ectópica rota. Conduta: Laparotomia exploradora.

Resumo-Chave

O quadro clínico (atraso menstrual, dor abdominal, sangramento, sinais de choque hipovolêmico, descompressão brusca positiva, dor anexial, BHCG positivo com USG sem saco intrauterino e líquido livre) é altamente sugestivo de gestação ectópica rota. A instabilidade hemodinâmica exige intervenção cirúrgica imediata (laparotomia exploradora).

Contexto Educacional

A gestação ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. É uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre da gravidez. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves, como a ruptura tubária. O quadro clínico clássico da gestação ectópica inclui atraso menstrual, dor abdominal unilateral e sangramento vaginal irregular. No entanto, quando ocorre a ruptura, o quadro se torna uma emergência médica. A paciente pode apresentar sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, palidez, sudorese), dor abdominal intensa e difusa, descompressão brusca positiva (sinal de irritação peritoneal) e dor à mobilização do colo uterino ou anexos. A presença de um BHCG positivo, ausência de saco gestacional intrauterino ao ultrassom transvaginal (especialmente se o BHCG estiver acima da zona discriminatória) e a detecção de líquido livre na cavidade abdominal (frequentemente em fundo de saco posterior) confirmam a suspeita de gestação ectópica rota. Nesses casos de instabilidade hemodinâmica, a conduta é a laparotomia exploradora imediata para controle do sangramento e remoção da gestação ectópica, sendo uma medida salvadora de vidas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para uma gestação ectópica rota?

Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e súbita, sangramento vaginal, tontura, síncope, hipotensão, taquicardia, descompressão brusca positiva e sinais de choque hipovolêmico.

Qual o papel do ultrassom e do BHCG no diagnóstico de gestação ectópica?

O ultrassom transvaginal que não visualiza saco gestacional intrauterino com níveis de BHCG acima do limiar de visualização (zona discriminatória, geralmente 1500-2000 mUI/mL) é altamente sugestivo de gestação ectópica. A presença de líquido livre em fundo de saco reforça a suspeita de ruptura.

Por que a laparotomia exploradora é a conduta de escolha na gestação ectópica rota?

A laparotomia exploradora é necessária para controlar rapidamente o sangramento intra-abdominal maciço e remover o tecido gestacional ectópico, salvando a vida da paciente em choque hipovolêmico.

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