SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2023
Paciente, 21 anos, é atendida na emergência com queixa de dor em FIE de forte intensidade associada a sangramento vaginal discreto, sudorese e palidez. Refere diagnóstico recente de gestação, após realização de BHCG. Ao exame: FC 120 bpm, PA: 80x50 mmHg, abdômen doloroso a palpação superficial e profunda, peristalse débil com sinal de descompressão dolorosa. Toque vaginal: colo posterior, longo, fechado, doloroso a mobilização, com sangramento discreto em dedo de luva. Realizada culdocentese com saída de sangue. A principal hipótese diagnóstica é:
Gestante com dor abdominal intensa, instabilidade hemodinâmica (choque), sangramento vaginal discreto e culdocentese positiva → Gestação ectópica rota.
A gestação ectópica rota é uma emergência ginecológica que se manifesta com dor abdominal aguda, sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez) e sangramento vaginal discreto. A presença de irritação peritoneal e culdocentese positiva para sangue são achados cruciais que confirmam a ruptura e a hemorragia intra-abdominal.
A gestação ectópica rota é uma das emergências ginecológicas mais graves, representando uma causa significativa de morbimortalidade materna no primeiro trimestre da gestação. Ocorre quando o embrião se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas, e a estrutura se rompe, causando hemorragia interna. A rápida identificação e intervenção são cruciais para a sobrevivência da paciente. A fisiopatologia envolve a implantação anômala do ovo, que cresce até romper a estrutura que o contém, levando a sangramento para a cavidade peritoneal. O quadro clínico típico inclui dor abdominal aguda e intensa, sangramento vaginal discreto e sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez, sudorese) devido à perda sanguínea interna. Ao exame físico, pode-se encontrar dor à palpação abdominal, descompressão dolorosa e dor à mobilização do colo. O diagnóstico é clínico, laboratorial (BHCG positivo) e pode ser confirmado por exames como a culdocentese (presença de sangue no fundo de saco de Douglas) ou ultrassonografia transvaginal (líquido livre na cavidade e ausência de gestação intrauterina). A conduta é sempre cirúrgica de emergência para controle da hemorragia e remoção da gestação ectópica, geralmente por laparoscopia ou laparotomia. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente este quadro para garantir o manejo adequado e salvar a vida da paciente.
Os principais sinais e sintomas incluem dor abdominal intensa e súbita (frequentemente unilateral), sangramento vaginal discreto ou ausente, e sinais de choque hipovolêmico como taquicardia, hipotensão, palidez e sudorese. Pode haver também dor à mobilização do colo uterino e descompressão dolorosa abdominal.
A culdocentese, que é a punção do fundo de saco de Douglas, é importante porque a presença de sangue não coagulável indica hemorragia intra-abdominal, um achado característico da gestação ectópica rota. É um método rápido para confirmar a presença de sangue livre na cavidade peritoneal.
A gestação ectópica rota se diferencia pela presença de instabilidade hemodinâmica (choque), dor abdominal desproporcional ao sangramento vaginal, e sinais de irritação peritoneal. Em abortamentos, o sangramento costuma ser mais profuso e a dor é tipicamente cólica, sem sinais de choque ou irritação peritoneal, a menos que haja infecção.
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