Gestação Ectópica Rota: Diagnóstico e Manejo Urgente

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

F.S.R., 32 anos, GIII PI 1C AI, IG cronológica de 7 semanas e 1 dia, deu entrada ao PSO com queixa de sangramento vaginal há cerca de 1 semana, vermelho escuro, e dor abdominal de início súbito há cerca de 30 minutos. Nega comorbidades. Ao exame físico: regular estado geral, hipocorada 2+/4, FC 103 bpm, PA 90 x 60 mmHg, abdome: dor à descompressão brusca positiva. Toque vaginal: colo impérvio, com grito de Douglas positivo. Submetida a ultrassom transvaginal: útero em anteversão, contornos regulares, eco endometrial de 14 mm. Imagem heterogênea em região anexial à direita, medindo 5 x 4 x 3 cm. Identificada moderada quantidade de líquido livre em cavidade pélvica.Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto.

Alternativas

  1. A) Cisto de corpo lúteo hemorrágico.
  2. B) Gestação heterotópica.
  3. C) Gestação molar.
  4. D) Gestação ectópica rota.
  5. E) Abortamento completo.

Pérola Clínica

Gestante 7s, dor abdominal súbita, sangramento, instabilidade hemodinâmica, grito de Douglas +, líquido livre pélvico, massa anexial → Gestação ectópica rota.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal súbita, sangramento vaginal, instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão), sinais de irritação peritoneal (dor à descompressão brusca, grito de Douglas) e achados ultrassonográficos de massa anexial e líquido livre na pelve em uma gestante de 7 semanas é altamente sugestivo de gestação ectópica rota, uma emergência médica.

Contexto Educacional

A gestação ectópica rota é uma emergência obstétrica grave, responsável por uma parcela significativa da mortalidade materna no primeiro trimestre. Ocorre quando o embrião se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina, e a estrutura se rompe, causando hemorragia interna. O reconhecimento rápido e a intervenção imediata são cruciais para salvar a vida da paciente. A fisiopatologia envolve a implantação anômala do zigoto, que cresce até romper a estrutura que o contém, levando a sangramento para a cavidade peritoneal. O quadro clínico típico inclui dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, e sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez, sudorese). O exame físico pode revelar dor à descompressão brusca, dor à mobilização do colo e grito de Douglas positivo. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia transvaginal, que mostra útero vazio, massa anexial e líquido livre na pelve. O tratamento da gestação ectópica rota é cirúrgico e emergencial, geralmente por laparoscopia ou laparotomia, para remover a gestação e controlar a hemorragia. A estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e, se necessário, transfusão sanguínea, deve ser iniciada imediatamente. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo um ponto crítico na formação do residente de ginecologia e obstetrícia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de uma gestação ectópica rota?

Os sinais e sintomas incluem dor abdominal súbita e intensa (geralmente unilateral), sangramento vaginal irregular, tontura, síncope, taquicardia, hipotensão (sinais de choque) e dor à mobilização do colo ou grito de Douglas positivo.

Qual a importância do ultrassom transvaginal no diagnóstico da gestação ectópica rota?

O ultrassom transvaginal é crucial para identificar a ausência de saco gestacional intrauterino, a presença de massa anexial heterogênea (compatível com gestação ectópica) e, principalmente, a presença de líquido livre na cavidade pélvica, indicando hemoperitônio.

Qual a conduta inicial para uma paciente com suspeita de gestação ectópica rota?

A conduta inicial é estabilização hemodinâmica (acesso venoso, fluidos, tipagem sanguínea e prova cruzada), analgesia e encaminhamento urgente para laparoscopia ou laparotomia exploratória para remoção da gestação ectópica e controle da hemorragia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo