SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Uma mulher de 25 anos de idade foi ao ginecologista, relatando dor no baixo ventre desde ontem. Tem atraso menstrual e sua idade gestacional é de seis semanas. Ao exame físico, ela se mostra em bom estado geral, consciente, orientada, eupneica, hidratada e descorada 2+/4+. Seu abdome é doloroso no terço inferior, onde há defesa à palpação. Foi realizada uma ultrassonografia, que mostrou moderada quantidade de líquido livre na cavidade e uma imagem sugestiva de saco gestacional no anexo do lado direito. Os exames laboratoriais apontaram anemia e beta-hCG positivo. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
Gestante com dor abdominal, atraso menstrual, beta-hCG+, anemia, líquido livre e massa anexial → Gestação Ectópica Rota.
A paciente apresenta a tríade clássica de gestação ectópica (atraso menstrual, dor abdominal, sangramento vaginal - aqui manifestado como anemia e descoramento), além de sinais de ruptura e hemorragia interna (dor intensa, defesa abdominal, líquido livre na cavidade, imagem sugestiva de saco gestacional no anexo). Isso configura uma emergência médica que exige intervenção imediata.
A gestação ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre da gravidez. A incidência varia, mas é uma condição que todo médico deve estar apto a diagnosticar precocemente. O quadro clínico típico envolve a tríade de atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, em uma paciente com teste de gravidez positivo. No entanto, a apresentação pode ser atípica, e a dor abdominal pode ser o sintoma predominante. A fisiopatologia da ruptura ocorre quando o embrião em crescimento erode a parede da estrutura onde está implantado (geralmente a tuba), causando hemorragia. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos (dor, sinais de choque, descoramento), laboratoriais (beta-hCG positivo, anemia) e ultrassonográficos (ausência de gestação intrauterina, massa anexial, líquido livre na cavidade). A presença de líquido livre na cavidade e defesa à palpação abdominal, juntamente com a anemia e o descoramento, são fortes indicativos de gestação ectópica rota, uma emergência que exige laparotomia ou laparoscopia de urgência para controle da hemorragia e remoção da gestação.
A tríade clássica inclui atraso menstrual, dor abdominal (geralmente unilateral e em cólica) e sangramento vaginal. No entanto, nem todos os sintomas estão sempre presentes, e a dor pode ser o sintoma predominante, especialmente em casos de ruptura.
Achados sugestivos incluem a ausência de saco gestacional intrauterino com beta-hCG positivo, presença de massa anexial complexa (saco gestacional ou hematoma), e a presença de líquido livre na cavidade peritoneal (hemoperitônio), que indica sangramento.
A ruptura de uma gestação ectópica pode levar a uma hemorragia interna maciça e rapidamente progressiva, resultando em choque hipovolêmico e risco de morte materna. O diagnóstico e a intervenção cirúrgica urgentes são cruciais para salvar a vida da paciente.
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