Gestação Ectópica Rota: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2015

Enunciado

Paciente, 19 anos de idade, GIIPIA0, comparece à emergência relatando atraso menstrual de quatro semanas, dor no baixo ventre e sangramento transvaginal discreto. Ao exame físico, apresentava-se taquicárdica e hipotensa, com dor à palpação de fossa ilíaca esquerda e útero discretamente aumentado de volume. Os exames laboratoriais revelaram beta-hCG > 1.500 mUI/ml; hemoglobina 10,5 g/dl; leucócitos 10.440/mm³ e rotina de urina inalterada. A ultrassonografia pélvica endovaginal evidenciou ausência de gestação intrauterina e massa anexial heterogênea à esquerda medindo 5,4 x 4,2 cm de diâmetro médio. Sobre este caso, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O metotrexato é a primeira opção de tratamento. 
  2. B) O beta-hCG quantitativo deverá ser repetido a cada 24 horas até negativar.
  3. C) O tratamento cirúrgico é a melhor opção.
  4. D) A dosagem de progesterona e estradiol deverá ser realizada para confirmar a presença de gestação ectópica. 

Pérola Clínica

Gestação ectópica com instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) ou massa anexial > 3,5-4 cm = tratamento cirúrgico.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia e hipotensão), dor abdominal intensa, sangramento e massa anexial de 5,4 x 4,2 cm, com beta-hCG elevado e ausência de gestação intrauterina. Esses achados são altamente sugestivos de gestação ectópica rota, uma emergência cirúrgica.

Contexto Educacional

A gestação ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre, especialmente quando ocorre ruptura e hemorragia. A epidemiologia mostra uma incidência de 1-2% das gestações. A fisiopatologia envolve fatores que dificultam a passagem do óvulo fertilizado pela tuba, como infecções pélvicas prévias, cirurgias tubárias ou uso de DIU. O diagnóstico é baseado na tríade clássica de atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, associado a um beta-hCG positivo e ausência de gestação intrauterina na ultrassonografia transvaginal. Sinais de instabilidade hemodinâmica indicam ruptura e hemorragia interna. O tratamento pode ser clínico (metotrexato) ou cirúrgico. O tratamento cirúrgico é a melhor opção em casos de instabilidade hemodinâmica, sinais de ruptura, massa anexial grande (>3,5-4 cm), ou contraindicações ao metotrexato. A cirurgia geralmente é laparoscópica, com salpingectomia ou salpingostomia, dependendo da condição da tuba e do desejo de fertilidade futura.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de uma gestação ectópica rota?

Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, tontura, síncope, e sinais de choque hipovolêmico como taquicardia e hipotensão, devido ao hemoperitônio.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado para gestação ectópica?

O tratamento cirúrgico é indicado em casos de instabilidade hemodinâmica, sinais de ruptura (hemoperitônio), massa anexial > 3,5-4 cm, beta-hCG muito elevado, ou falha do tratamento clínico com metotrexato.

Qual o papel do beta-hCG e da ultrassonografia no diagnóstico de gestação ectópica?

O beta-hCG elevado sem visualização de saco gestacional intrauterino na ultrassonografia transvaginal (especialmente com níveis > 1500-2000 mUI/ml) é altamente sugestivo de gestação ectópica. A USG pode identificar a massa anexial.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo