INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma mulher com 38 anos de idade comparece ao pronto atendimento com dor em baixo ventre de forte intensidade há algumas horas. A paciente refere que vinha sentindo um leve incômodo em baixo ventre, mas há algumas horas sente dor de forte intensidade em abdome, mais localizada em baixo ventre. Não tem fatores de melhora e piora ao caminhar. Refere náuseas e um episódio de vômito. Nega febre. Como antecedentes já teve uma doença inflamatória pélvica há alguns anos, tratada com antibióticos. Está casada há 10 anos, não utiliza método anticoncepcional hormonal e não usa preservativo em todas as relações. Tem dois filhos que nasceram de parto normal. Nega patologias clínicas. A data da última menstruação foi há aproximadamente 7 semanas. Ao exame, apresenta regular estado geral, lúcida e contactuante, afebril, descorada (++/++++), com pressão arterial de 100 x 55 mmHg e pulso de 110 batimentos por minuto. Exame cardiopulmonar sem anormalidades. Abdome distendido, doloroso, descompressão brusca presente em fossa ilíaca direita. Ruídos hidro aéreos presentes, mas diminuídos. Exame especular sem sangramento, presença de discreta leucorreia fluida sem sinais de vulvovaginite. Toque vaginal com muita dor, dificultando o exame, mas o útero está de tamanho, forma e consistência normal; sente muita dor à palpação de fundo de saco. Considerando o quadro clínico apresentado, assinale a opção que apresenta, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta correta a ser realizada.
Mulher em idade fértil com dor abdominal aguda, amenorreia e instabilidade hemodinâmica → Gestação ectópica rota = Cirurgia de emergência.
A gestação ectópica rota é uma emergência ginecológica que se manifesta com dor abdominal intensa, sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez) e história de amenorreia. A dor à descompressão brusca e à palpação do fundo de saco indica irritação peritoneal por hemoperitônio.
A gestação ectópica é a implantação do ovo fertilizado fora da cavidade uterina, sendo a tuba uterina o local mais comum. A gestação ectópica rota é uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre, caracterizada pela ruptura da tuba e hemorragia interna. Sua prevalência é de cerca de 1-2% das gestações. A fisiopatologia envolve fatores que dificultam a passagem do óvulo fertilizado pela tuba, como DIP prévia, cirurgias tubárias ou uso de DIU. O diagnóstico é suspeitado em mulheres em idade fértil com dor abdominal aguda, amenorreia e sangramento vaginal. A instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, palidez) é um sinal de ruptura e hemoperitônio. O exame físico revela dor intensa à palpação abdominal e toque vaginal. A conduta para gestação ectópica rota é uma emergência cirúrgica. A estabilização hemodinâmica deve ser iniciada imediatamente com reposição volêmica, seguida de laparoscopia ou laparotomia para remoção da gestação e controle do sangramento. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e intervenção.
Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, amenorreia, sangramento vaginal irregular, tontura, síncope e sinais de choque hipovolêmico como taquicardia, hipotensão e palidez.
A conduta inicial é estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e cirurgia de emergência, geralmente laparoscopia ou laparotomia, para remover a gestação ectópica e controlar o sangramento.
A diferenciação envolve a história clínica (amenorreia, fatores de risco), exame físico (dor à mobilização do colo, dor em fundo de saco, sinais de choque) e exames complementares como beta-hCG positivo e ultrassonografia transvaginal.
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