Tratamento Medicamentoso da Gestação Ectópica com Metotrexato

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 18 anos, nuligesta, com atraso menstrual de 3 dias, uso irregular de método contraceptivo de barreira, chega à emergência com queixa de dor em baixo ventre, mastalgia e discreto sangramento vaginal. O plantonista suspeita de gravidez, o que se confirma com BHCG positivo em teste rápido. Ultrassonografia transvaginal realizada detecta endométrio espessado e imagem heterogénea, hipoecogênica, com fluxo ao mapeamento doppler em região anexial esquerda, sugerindo gravidez extra-uterina. Em relação a essa hipótese diagnóstica, são consideradas condições que permitem o tratamento medicamentoso com metrotexate na gestação ectópica:

Alternativas

  1. A) BHCG < 10000, líquido livre em fundo de saco em pequena quantidade e BCF ausentes.
  2. B) BHCG < 5000, estabilidade clínica, e massa menor que 3-4 cm.
  3. C) Massa maior do que 3-4 cm, líquido livre em fundo de saco em pequena quantidade e BCF ausentes.
  4. D) Desejo de nova gestação, BHCG < 20000 e BCF presentes.
  5. E) Ausência de abdome agudo, massa maior do que 5 cm, multiparidade.

Pérola Clínica

MTX na ectópica → Estabilidade + hCG < 5000 + Massa < 4cm + BCF ausente.

Resumo-Chave

O tratamento medicamentoso com metotrexato é uma alternativa conservadora à cirurgia em casos de gestação ectópica íntegra, visando preservar a fertilidade futura da paciente.

Contexto Educacional

A gestação ectópica ocorre quando o blastocisto se implanta fora da cavidade uterina, sendo a trompa de Falópio o local mais comum (95%). O diagnóstico precoce através da ultrassonografia transvaginal e do beta-hCG quantitativo permitiu a transição do tratamento radical (salpingectomia) para opções conservadoras. O metotrexato, um antagonista do ácido fólico, interrompe a proliferação do trofoblasto, sendo altamente eficaz em casos selecionados. A escolha entre tratamento medicamentoso, cirurgia conservadora (salpingostomia) ou cirurgia radical depende do desejo reprodutivo da paciente, das condições clínicas e da viabilidade da trompa. A compreensão rigorosa dos critérios de inclusão para o metotrexato é vital para minimizar o risco de falha terapêutica e a necessidade de cirurgia de emergência por rotura tubária tardia.

Perguntas Frequentes

Quais os principais critérios para indicar metotrexato na gestação ectópica?

Os critérios clássicos incluem estabilidade hemodinâmica da paciente, níveis de beta-hCG inferiores a 5.000 mIU/mL, ausência de atividade cardíaca embrionária (BCF ausente) e uma massa anexial com diâmetro máximo entre 3,5 e 4,0 cm. Além disso, a paciente deve ter função renal e hepática preservadas e não apresentar contraindicações ao uso de antagonistas do folato.

Como é realizado o seguimento após a dose de metotrexato?

O seguimento é feito com dosagens seriadas de beta-hCG nos dias 4 e 7 após a administração. Espera-se uma queda superior a 15% entre o valor do 4º e do 7º dia para considerar o tratamento eficaz. Caso a queda seja inferior, uma segunda dose pode ser considerada ou opta-se pela intervenção cirúrgica, dependendo da evolução clínica.

Quais as contraindicações absolutas ao tratamento com metotrexato?

As contraindicações absolutas incluem instabilidade hemodinâmica, sinais de rotura tubária (hemoperitônio volumoso), amamentação, imunodeficiência, doença renal ou hepática significativa, discrasias sanguíneas e hipersensibilidade conhecida ao fármaco. A presença de BCF positivo é considerada uma contraindicação relativa ou critério de exclusão em muitos protocolos devido à alta taxa de falha.

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