SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
Paciente de 18 anos, nuligesta, com atraso menstrual de 3 dias, uso irregular de método contraceptivo de barreira, chega à emergência com queixa de dor em baixo ventre, mastalgia e discreto sangramento vaginal. O plantonista suspeita de gravidez, o que se confirma com BHCG positivo em teste rápido. Ultrassonografia transvaginal realizada detecta endométrio espessado e imagem heterogénea, hipoecogênica, com fluxo ao mapeamento doppler em região anexial esquerda, sugerindo gravidez extra-uterina. Em relação a essa hipótese diagnóstica, são consideradas condições que permitem o tratamento medicamentoso com metrotexate na gestação ectópica:
MTX na ectópica → Estabilidade + hCG < 5000 + Massa < 4cm + BCF ausente.
O tratamento medicamentoso com metotrexato é uma alternativa conservadora à cirurgia em casos de gestação ectópica íntegra, visando preservar a fertilidade futura da paciente.
A gestação ectópica ocorre quando o blastocisto se implanta fora da cavidade uterina, sendo a trompa de Falópio o local mais comum (95%). O diagnóstico precoce através da ultrassonografia transvaginal e do beta-hCG quantitativo permitiu a transição do tratamento radical (salpingectomia) para opções conservadoras. O metotrexato, um antagonista do ácido fólico, interrompe a proliferação do trofoblasto, sendo altamente eficaz em casos selecionados. A escolha entre tratamento medicamentoso, cirurgia conservadora (salpingostomia) ou cirurgia radical depende do desejo reprodutivo da paciente, das condições clínicas e da viabilidade da trompa. A compreensão rigorosa dos critérios de inclusão para o metotrexato é vital para minimizar o risco de falha terapêutica e a necessidade de cirurgia de emergência por rotura tubária tardia.
Os critérios clássicos incluem estabilidade hemodinâmica da paciente, níveis de beta-hCG inferiores a 5.000 mIU/mL, ausência de atividade cardíaca embrionária (BCF ausente) e uma massa anexial com diâmetro máximo entre 3,5 e 4,0 cm. Além disso, a paciente deve ter função renal e hepática preservadas e não apresentar contraindicações ao uso de antagonistas do folato.
O seguimento é feito com dosagens seriadas de beta-hCG nos dias 4 e 7 após a administração. Espera-se uma queda superior a 15% entre o valor do 4º e do 7º dia para considerar o tratamento eficaz. Caso a queda seja inferior, uma segunda dose pode ser considerada ou opta-se pela intervenção cirúrgica, dependendo da evolução clínica.
As contraindicações absolutas incluem instabilidade hemodinâmica, sinais de rotura tubária (hemoperitônio volumoso), amamentação, imunodeficiência, doença renal ou hepática significativa, discrasias sanguíneas e hipersensibilidade conhecida ao fármaco. A presença de BCF positivo é considerada uma contraindicação relativa ou critério de exclusão em muitos protocolos devido à alta taxa de falha.
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