Gestação Ectópica: Critérios e Tratamento com Metotrexato

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher de 34 anos de idade é atendida em pronto-socorro com desconforto abdominal, sem sinais de peritonite, com atraso menstrual de 3 semanas. Foi submetida à terceira tentativa de inseminação artificial, recentemente, e apresentava beta-hCG = 3 000 mUI/mL, dosado no dia anterior. O médico solicitou uma ultrassonografia que evidenciou gestação ectópica à esquerda, com saco gestacional bem delimitado, sem batimentos cardíacos fetais e medindo 3 cm. Diante do quadro atual, qual a conduta apropriada?

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento com metotrexato 50 mg/m². 
  2. B) Adotar conduta expectante e dosar beta-hCG diariamente.
  3. C) Submeter a paciente a videolaparoscopia e salpingostomia. 
  4. D) Submeter a paciente a videolaparoscopia e salpingectomia. 

Pérola Clínica

Gestação ectópica estável, sem BCF, saco < 3.5cm, beta-hCG < 5000 → Metotrexato 50 mg/m².

Resumo-Chave

O tratamento da gestação ectópica depende da estabilidade hemodinâmica da paciente e de critérios ultrassonográficos e laboratoriais. O metotrexato é a primeira escolha para pacientes estáveis que preenchem os critérios de tamanho do saco gestacional e nível de beta-hCG.

Contexto Educacional

A gestação ectópica é uma condição grave em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre da gravidez e sua incidência tem aumentado devido a fatores como doenças inflamatórias pélvicas e técnicas de reprodução assistida. O diagnóstico precoce e a conduta adequada são cruciais para preservar a vida da paciente e sua fertilidade futura. O diagnóstico baseia-se na combinação de atraso menstrual, dor abdominal, sangramento vaginal irregular e, principalmente, na dosagem de beta-hCG e ultrassonografia transvaginal. A ausência de saco gestacional intrauterino com beta-hCG acima do 'nível discriminatório' (geralmente 1500-2000 mUI/mL) é altamente sugestiva. A presença de massa anexial ou saco gestacional fora do útero confirma o diagnóstico. A escolha do tratamento (clínico com metotrexato, expectante ou cirúrgico) depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da gestação ectópica, presença de batimentos cardíacos fetais e níveis de beta-hCG. O metotrexato é uma opção eficaz para pacientes estáveis que preenchem critérios específicos, evitando a necessidade de cirurgia e preservando a tuba uterina.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o tratamento clínico da gestação ectópica com metotrexato?

Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, ausência de atividade cardíaca fetal, saco gestacional menor que 3,5-4 cm e níveis de beta-hCG geralmente abaixo de 5.000 mUI/mL, sem sinais de ruptura.

Qual a dose padrão de metotrexato para gestação ectópica e como é administrado?

A dose padrão é de 50 mg/m² de superfície corporal, administrada em dose única intramuscular. O acompanhamento com dosagens seriadas de beta-hCG é essencial.

Quando a conduta cirúrgica é indicada para gestação ectópica?

A cirurgia (videolaparoscopia) é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica, ruptura da tuba, falha do tratamento clínico com metotrexato, contraindicações ao metotrexato ou desejo da paciente.

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