São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Paciente feminina, 28 anos, G3P1A1, chega ao prontosocorro com queixa de dor abdominal em cólica há dois dias, acompanhada de sangramento vaginal irregular. Relata atraso menstrual de 7 semanas. Refere histórico de laqueadura tubária há 3 anos. Exame físico revela dor à palpação em fossa ilíaca esquerda e mobilização uterina dolorosa ao toque vaginal. A ultrassonografia transvaginal mostra ausência de gestação intrauterina e uma massa heterogênea em região anexial esquerda, com líquido livre moderado no fundo do saco. Beta-HCG sérico = 1.800 mUl/mL. Com base no quadro descrito, qual é o diagnóstico mais provável?
Mulher com atraso menstrual, dor abdominal, sangramento, beta-HCG +, laqueadura prévia e massa anexial → Gestação ectópica até prova em contrário.
A gestação ectópica deve ser fortemente suspeitada em mulheres em idade fértil com atraso menstrual, sangramento vaginal irregular e dor abdominal, especialmente na presença de fatores de risco como laqueadura tubária prévia, que aumenta o risco de falha e implantação ectópica.
A gestação ectópica é uma condição grave que ocorre quando o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre e deve ser sempre considerada em mulheres em idade fértil com dor abdominal, sangramento vaginal e atraso menstrual. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal irregular, associada a um teste de gravidez positivo. Fatores de risco como doença inflamatória pélvica, cirurgia tubária prévia (incluindo laqueadura) e gestação ectópica anterior aumentam a probabilidade. A ultrassonografia transvaginal, em conjunto com a dosagem seriada de beta-HCG, é fundamental para o diagnóstico, buscando a ausência de gestação intrauterina e a presença de massa anexial ou líquido livre na cavidade. O manejo da gestação ectópica depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, do tamanho da massa, do nível de beta-HCG e do desejo de gestações futuras. As opções incluem tratamento expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico (salpingostomia ou salpingectomia). A ruptura da gestação ectópica é uma emergência médica que exige intervenção cirúrgica imediata devido ao risco de hemorragia interna e choque hipovolêmico.
Os principais fatores de risco incluem doença inflamatória pélvica prévia, cirurgia tubária (incluindo laqueadura), gestação ectópica anterior, uso de DIU e técnicas de reprodução assistida.
O beta-HCG sérico elevado, sem evidência de gestação intrauterina na ultrassonografia transvaginal, é altamente sugestivo de gestação ectópica. A presença de massa anexial heterogênea e líquido livre no fundo de saco reforça o diagnóstico.
Embora a laqueadura seja um método contraceptivo eficaz, em caso de falha, a gestação tem maior probabilidade de ser ectópica devido a alterações na motilidade tubária ou formação de fístulas.
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