Gestação Ectópica: Diagnóstico e Sinais de Alerta

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma adolescente de 18 anos, primigesta, procura o Pronto Socorro com queixas de dor em baixo ventre e sangramento vaginal há cerca de um dia. Não sabe referir a data da última menstruação, pois é portadora de ovário micropolicísticos apresentando ciclos menstruais irregulares e faz uso de DIU de cobre como método contraceptivo. Traz consigo uma ultrassonografia endovaginal realizada no dia anterior em outro serviço com o seguinte laudo: endométrio secretor com 14 mm, sem alterações, não apresentando conteúdo intrauterino; região anexial de difícil avaliação devido interposição intestinal e um teste de beta HCG quantitativo com resultado de 5.000mUI. Ao exame especular apresenta sangramento em pequena quantidade e ao toque bimanual com muita dor em fossa ilíaca esquerda, anexos não palpáveis e útero em AVF, amolecido de tamanho e forma habitual. Determine o diagnóstico.

Alternativas

  1. A) Gestação anembrionada.
  2. B) Gestação ectópica.
  3. C) Aborto em curso.
  4. D) Gravidez incipiente.

Pérola Clínica

Beta HCG > 1500-2000 + USG sem saco gestacional intrauterino + dor/sangramento → Gestação ectópica.

Resumo-Chave

Em pacientes com beta HCG elevado e ultrassonografia transvaginal sem evidência de gestação intrauterina, especialmente na presença de dor abdominal e sangramento, deve-se fortemente suspeitar de gestação ectópica. O DIU de cobre não previne gestações ectópicas, apenas reduz a chance de gestação intrauterina.

Contexto Educacional

A gestação ectópica é uma condição grave que ocorre quando o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre, com uma incidência de 1-2% das gestações. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações como a ruptura tubária e hemorragia interna. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de amenorreia, dor abdominal e sangramento vaginal. A avaliação laboratorial com beta HCG quantitativo e a ultrassonografia transvaginal são pilares diagnósticos. Um beta HCG acima do 'limiar de zona de discriminação' (geralmente 1500-2000 mUI/mL) sem visualização de saco gestacional intrauterino é altamente sugestivo de gestação ectópica ou gestação intrauterina muito precoce/aborto. A ultrassonografia pode revelar uma massa anexial complexa ou líquido livre na cavidade abdominal. O tratamento pode ser expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da gestação ectópica e nível de beta HCG. A decisão terapêutica deve ser individualizada, considerando o desejo de fertilidade futura da paciente e os riscos associados a cada abordagem.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de uma gestação ectópica?

Os principais sinais e sintomas incluem dor abdominal unilateral (geralmente em fossa ilíaca), sangramento vaginal irregular e amenorreia. Pode haver também tontura e síncope em casos de ruptura.

Qual o papel do beta HCG e da ultrassonografia no diagnóstico da gestação ectópica?

O beta HCG quantitativo elevado (geralmente > 1500-2000 mUI/mL) sem visualização de saco gestacional intrauterino na ultrassonografia transvaginal é altamente sugestivo. A ultrassonografia pode identificar uma massa anexial ou líquido livre na cavidade.

Quais são os fatores de risco para gestação ectópica e como o DIU se relaciona?

Fatores de risco incluem doença inflamatória pélvica, cirurgia tubária prévia, gestação ectópica anterior e uso de DIU. O DIU não previne gestações ectópicas, mas sim as intrauterinas, aumentando a proporção de gestações ectópicas entre as gestações que ocorrem.

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