HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2015
Uma paciente de 24 anos de idade, G3PN2A0, com atraso menstrual de seis semanas, procurou assistência médica devido à cólica abdominal associada a um pequeno sangramento vaginal. A ecografia transvaginal realizada no pronto-socorro mostrou endométrio espesso, e o médico procedeu à curetagem uterina. O laudo do anatomo patológico do material encaminhado evidenciou reação de Arias-Stella. Considerando esse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável.
Reação de Arias-Stella em curetagem com endométrio espesso e sangramento → suspeitar fortemente de gestação ectópica.
A reação de Arias-Stella é uma alteração histológica do endométrio que ocorre em resposta à progesterona, presente tanto na gestação tópica quanto na ectópica. Em um cenário de sangramento e dor com endométrio espesso e ausência de saco gestacional intrauterino, sua presença no material de curetagem reforça a hipótese de gestação ectópica.
A gestação ectópica é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela implantação do ovo fertilizado fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. Sua incidência é de aproximadamente 1-2% das gestações, sendo uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. O diagnóstico precoce é fundamental para prevenir complicações como a ruptura tubária e hemorragia. O diagnóstico da gestação ectópica baseia-se na tríade clássica de atraso menstrual, sangramento vaginal e dor abdominal, embora nem sempre completa. A ultrassonografia transvaginal é o principal método de imagem, buscando a ausência de saco gestacional intrauterino e a presença de massa anexial. A dosagem seriada de beta-hCG também é essencial, com valores que não dobram a cada 48 horas, como esperado em uma gestação tópica viável. A reação de Arias-Stella no material de curetagem, como no caso, é um achado histopatológico que, na ausência de gestação intrauterina, corrobora a hipótese de ectópica. O tratamento pode ser expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa e níveis de beta-hCG. A escolha da conduta visa preservar a fertilidade futura e, principalmente, a vida da paciente. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente os sinais e sintomas e iniciar a investigação adequada.
A reação de Arias-Stella é uma alteração histológica do endométrio caracterizada por células glandulares com núcleos hipercromáticos e irregulares, citoplasma vacuolizado. Ela indica influência hormonal gestacional e, na ausência de saco gestacional intrauterino, sugere fortemente gestação ectópica.
Os sinais e sintomas clássicos incluem atraso menstrual, sangramento vaginal irregular (geralmente escasso e escuro), dor abdominal ou pélvica unilateral, e massa anexial palpável. Em casos de ruptura, pode haver dor intensa e sinais de choque hipovolêmico.
A USG transvaginal é crucial para o diagnóstico, mostrando um endométrio espesso sem saco gestacional intrauterino, ou a presença de um saco gestacional ou massa anexial fora do útero. A ausência de gestação intrauterina confirmada em conjunto com beta-hCG elevado é altamente sugestiva.
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