HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2023
Os sangramentos que ocorrem na primeira metade da gestação representam uma grande porcentagem dos atendimentos nas emergências gineco-obstétricas. A respeito desse diagnóstico diferencial e do respectivo manejo, assinale a alternativa correta.
Atraso menstrual + dor abdominal/pélvica + sangramento vaginal → suspeitar de gestação ectópica.
A gestação ectópica é uma causa importante de sangramento e dor na primeira metade da gestação, sendo crucial sua suspeita diante da tríade clássica (atraso menstrual, dor e sangramento) para diagnóstico e manejo precoces, evitando complicações graves como o choque hipovolêmico.
O sangramento na primeira metade da gestação é uma queixa comum na emergência gineco-obstétrica, exigindo uma abordagem diagnóstica sistemática devido à ampla gama de possíveis causas, desde condições benignas até emergências com risco de vida. A prevalência de sangramento no primeiro trimestre é de aproximadamente 20-25% das gestações, e é fundamental diferenciar entre causas obstétricas e não obstétricas. A fisiopatologia varia conforme a etiologia. Na gestação ectópica, a implantação ocorre fora da cavidade uterina, levando a dor e sangramento quando há ruptura ou distensão tubária. Na ameaça de abortamento, há sangramento sem dilatação cervical ou eliminação de produtos da concepção, com viabilidade fetal. O abortamento em curso envolve dilatação cervical e/ou eliminação de material ovular. A doença trofoblástica gestacional, por sua vez, é caracterizada por proliferação anormal do trofoblasto. O diagnóstico diferencial é feito com base na história clínica, exame físico (especular e toque vaginal), ultrassonografia transvaginal e dosagem seriada de beta-hCG. O manejo depende do diagnóstico específico. Na ameaça de abortamento, a conduta é expectante, com repouso e acompanhamento. Em abortamentos incompletos ou retidos, o esvaziamento uterino (AMIU ou curetagem) é indicado. A gestação ectópica pode ser tratada clinicamente (metotrexato) ou cirurgicamente (salpingectomia/salpingostomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica e critérios específicos. Abortamento infectado exige antibioticoterapia e esvaziamento uterino. É crucial que os residentes compreendam a importância da avaliação rápida e precisa para garantir o melhor desfecho materno.
Os principais diagnósticos incluem ameaça de abortamento, abortamento em curso ou completo, gestação ectópica, doença trofoblástica gestacional e sangramentos de colo uterino (pólipos, cervicite).
Deve-se suspeitar de gestação ectópica em pacientes com atraso menstrual, dor abdominal ou pélvica (unilateral ou difusa) e sangramento vaginal, especialmente se houver instabilidade hemodinâmica.
O abortamento infectado requer estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro imediata e esvaziamento uterino (AMIU ou curetagem) após estabilização, não sendo a histerectomia a primeira opção.
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