HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2020
Paciente 29 anos, relata atraso menstrual de 20 dias. A ultrassonografia mostra endométrio com espessura de 13 mm, anexos normais e o BetaHCG dosado foi de 3000 mui/mL. Após 15 dias, ao repetir dosagem de betaHCG obteve-se 50000 mui/mL. Ultrassonografia evidencia endométrio com 15 mm de espessura e anexo esquerdo com formação cística de conteúdo denso, medindo 4 cm. Paciente encontra-se assintomática. Diagnóstico mais provável é:
BetaHCG ↑, USG sem gestação intrauterina + massa anexial = gestação ectópica.
O cenário de BetaHCG elevado e em ascensão, sem evidência de gestação intrauterina na ultrassonografia (apesar de endométrio espessado) e a presença de uma massa anexial, mesmo na ausência de sintomas, é altamente sugestivo de gestação ectópica íntegra.
A gestação ectópica é uma condição grave em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações como a ruptura tubária e hemorragia interna, que podem ser fatais. O quadro clínico apresentado, com atraso menstrual, BetaHCG elevado e em ascensão (de 3000 para 50000 mUI/mL em 15 dias), e a presença de uma massa cística anexial de conteúdo denso na ultrassonografia, mesmo na ausência de sintomas, é altamente sugestivo de gestação ectópica íntegra. A ausência de saco gestacional intrauterino com um BetaHCG tão elevado (acima da zona de discriminação, que é geralmente 1500-2000 mUI/mL) é um forte indicativo de gestação não intrauterina. O endométrio espessado é compatível com a ação hormonal da gravidez. O diagnóstico diferencial inclui gestação intrauterina inicial (mas o BetaHCG já estaria alto para não ver saco), abortamento retido (o BetaHCG geralmente cairia ou não aumentaria tanto) e mola hidatiforme (BetaHCG muito mais alto e USG com aspecto de 'tempestade de neve'). A ausência de sintomas não exclui gestação ectópica, que pode permanecer íntegra por um tempo antes de apresentar dor ou sangramento. O manejo pode ser expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico, dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente e dos achados ultrassonográficos.
Os critérios incluem BetaHCG elevado e/ou com ascensão atípica, ausência de saco gestacional intrauterino na ultrassonografia transvaginal quando o BetaHCG atinge o limiar de visualização (zona de discriminação), e frequentemente, presença de massa anexial ou líquido livre na pelve.
O BetaHCG é um marcador sensível de gestação. Em gestações ectópicas, seus níveis podem ser mais baixos ou ter um padrão de duplicação mais lento do que em gestações intrauterinas viáveis, embora possam ser altos como no caso, sendo a sua evolução e a correlação com a USG cruciais.
Sim, muitas gestações ectópicas são inicialmente assintomáticas. Dor abdominal e sangramento vaginal são sintomas comuns, mas geralmente aparecem quando há ruptura, distensão significativa da tuba ou outras complicações, não sendo obrigatórios no início.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo