HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher de 40 anos de idade comparece à emergência por dor intensa em baixo ventre e sangramento vaginal em pequena quantidade há 3 dias. Sem outras queixas. Tem história prévia de 2 gestações, com um parto normal sem intercorrência e um aborto. Não sabe relatar quando foi a sua última menstruação, mas acha que está atrasada. Não compareceu em consultas ginecológicas ou de pré-natal no último ano. Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca de 88bpm e pressão arterial de 110x70mmHg, com abdome flácido e doloroso à palpação difusamente. O exame especular demonstrou a presença de sangramento em fundo de saco, em mínima quantidade. Ao toque vaginal, apresentou útero intrapélvico, anexos não palpáveis e dor à mobilização do colo uterino. Foi solicitada dosagem de beta-hCG, que foi positiva, e ultrassonografia transvaginal, que evidenciou massa anexial à esquerda, medindo 5,1cm em seu maior diâmetro, íntegra, com embrião com batimento cardíaco embrionário. Qual é o diagnóstico?
Dor abdominal + sangramento vaginal + beta-hCG positivo + massa anexial com BCF → Gestação ectópica.
A gestação ectópica é uma emergência ginecológica que deve ser sempre suspeitada em mulheres com dor abdominal e sangramento vaginal no início da gestação, especialmente com beta-hCG positivo e USG mostrando massa anexial. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves.
A gestação ectópica é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela implantação do ovo fertilizado fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. Sua incidência é de aproximadamente 1-2% das gestações, sendo uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. Fatores de risco incluem doença inflamatória pélvica, cirurgias tubárias prévias, uso de DIU e gestação ectópica anterior. O diagnóstico precoce é crucial e baseia-se na tríade clássica de dor abdominal, sangramento vaginal e atraso menstrual em uma paciente com beta-hCG positivo. A ultrassonografia transvaginal é o método diagnóstico de escolha, revelando a ausência de saco gestacional intrauterino e a presença de uma massa anexial, que pode conter um embrião com ou sem atividade cardíaca. A dor à mobilização do colo uterino é um sinal comum no exame físico. O tratamento pode ser expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa, níveis de beta-hCG e presença de batimentos cardíacos embrionários. O manejo adequado visa preservar a fertilidade futura e, acima de tudo, a vida da paciente.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal (geralmente unilateral), sangramento vaginal irregular e atraso menstrual, em uma paciente com teste de gravidez positivo.
A ultrassonografia transvaginal é fundamental para visualizar a ausência de saco gestacional intrauterino e a presença de massa anexial complexa, com ou sem embrião e batimento cardíaco, fora da cavidade uterina.
O beta-hCG positivo, especialmente quando não há evidência de gestação intrauterina na USG e os níveis não dobram adequadamente em 48h, é um forte indicativo de gestação ectópica ou abortamento.
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