UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021
Mulher de 26 anos procura maternidade com história de 6 semanas de atraso menstrual, dor pélvica e sangramento vaginal. Tem beta-HcG qualitativo positivo. Relata laparotomia exploradora há cerca de 1 ano por gestação ectópica. Tem passado de endometriose. Assinale a alternativa INCORRETA acerca desta provável patologia obstétrica:
Gestação ectópica: tratamento não é sempre cirúrgico; Metotrexato é opção para casos selecionados (estabilidade, β-HCG < 5000, sem embrião vivo).
A gestação ectópica é uma emergência obstétrica, mas nem todos os casos exigem cirurgia. O tratamento com Metotrexato é uma alternativa eficaz para pacientes hemodinamicamente estáveis, com massa ectópica pequena, sem atividade cardíaca embrionária e níveis de beta-HCG abaixo de 5.000 mUI/mL, evitando os riscos de um procedimento cirúrgico.
A gestação ectópica, definida pela implantação do óvulo fertilizado fora da cavidade uterina, é uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. Sua incidência tem aumentado devido a fatores como maior prevalência de doenças sexualmente transmissíveis e técnicas de reprodução assistida. O reconhecimento precoce dos sintomas, como atraso menstrual, dor pélvica e sangramento vaginal, é crucial para um manejo adequado. O diagnóstico baseia-se na combinação de beta-HCG positivo com achados ultrassonográficos, preferencialmente transvaginais, que demonstrem a ausência de gestação intrauterina e a presença de uma massa anexial. Fatores de risco como cirurgia tubária prévia e endometriose devem sempre ser considerados. A fisiopatologia envolve alterações na motilidade tubária ou na integridade do epitélio, impedindo a migração adequada do zigoto. O tratamento pode ser cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia) ou medicamentoso com Metotrexato. A escolha depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa ectópica, níveis de beta-HCG e presença de atividade cardíaca embrionária. É fundamental que o residente compreenda os critérios para cada abordagem, a fim de oferecer a melhor conduta e evitar complicações graves, como a ruptura tubária e hemorragia.
Os principais fatores de risco incluem história prévia de gestação ectópica, cirurgia tubária (como laqueadura ou reanastomose), doença inflamatória pélvica (DIP) e endometriose, que podem alterar a anatomia e função tubária.
O Metotrexato é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, com massa ectópica menor que 3-4 cm, sem atividade cardíaca embrionária, e níveis de beta-HCG geralmente abaixo de 5.000 mUI/mL, além de ausência de contraindicações.
A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem preferencial para confirmar o diagnóstico de gestação ectópica, permitindo a visualização da massa anexial e a ausência de gestação intrauterina, além de avaliar a presença de líquido livre na pelve.
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