Sangramento no 1º Trimestre: Diagnóstico e Beta HCG

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 32 anos, GIIIP0AII, procura emergência ao apresentar sangramento vaginal, tipo “borra de café”, em pequena quantidade. Refere Beta HCG, há três dias, no valor de 145mUI/mL. Ao exame especular, observa-se sangramento escurecido em fundo de saco vaginal sem saída ativa pelo orifício externo do colo. Ao toque vaginal, verificam-se útero intrapélvico e colo uterino fechado. Na emergência, é realizada ultrassonografia transvaginal que demonstra útero em AVF, com endométrio medindo 28mm, sem imagem compatível com saco gestacional; corpo lúteo à esquerda e anexos sem alterações; e novo Beta HCG no valor de 554mUI/mL. Diante desse quadro clínico, o diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) mola hidatiforme
  2. B) gestação ectópica
  3. C) gestação em curso
  4. D) abortamento incompleto

Pérola Clínica

Beta HCG duplicando em 48-72h + sangramento leve + colo fechado + USG sem saco gestacional (ainda cedo) = Gestação em curso.

Resumo-Chave

O aumento adequado do Beta HCG (duplicação em 48-72h) é o principal indicativo de uma gestação viável, mesmo na presença de sangramento leve e sem visualização do saco gestacional na ultrassonografia transvaginal, que pode ser normal em gestações muito iniciais (Beta HCG < 1500-2000 mUI/mL).

Contexto Educacional

O sangramento vaginal no primeiro trimestre é uma queixa comum na emergência obstétrica, gerando ansiedade na paciente e desafio diagnóstico para o médico. A diferenciação entre uma gestação viável, abortamento ou gestação ectópica é crucial para o manejo adequado e a segurança da paciente. A combinação de Beta HCG seriado e ultrassonografia transvaginal é a chave para esse diagnóstico. Neste caso, a paciente apresenta sangramento discreto, colo fechado e um aumento significativo do Beta HCG (de 145 para 554 mUI/mL em três dias, o que representa uma duplicação adequada). A ausência de saco gestacional na ultrassonografia transvaginal é esperada, pois o Beta HCG ainda está abaixo do "limiar de zona discriminatória" (geralmente 1500-2000 mUI/mL) para visualização. O endométrio espessado (28mm) é compatível com uma gestação inicial. Portanto, o quadro é compatível com uma gestação em curso, provavelmente muito inicial. A mola hidatiforme apresentaria níveis de Beta HCG muito mais elevados e um padrão ultrassonográfico característico ("tempestade de neve"). A gestação ectópica seria mais provável se o Beta HCG não estivesse duplicando adequadamente ou se houvesse sinais de massa anexial com Beta HCG acima do limiar de visualização. O abortamento incompleto geralmente cursa com colo aberto e restos ovulares no útero.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da duplicação do Beta HCG no primeiro trimestre?

A duplicação do Beta HCG em 48-72 horas é um forte indicativo de gestação intrauterina viável. Uma elevação mais lenta ou queda pode sugerir abortamento ou gestação ectópica.

Quando o saco gestacional deve ser visível na ultrassonografia transvaginal?

O saco gestacional geralmente é visível na ultrassonografia transvaginal quando o Beta HCG atinge valores entre 1500-2000 mUI/mL. Antes disso, sua ausência é esperada e não indica patologia.

Como diferenciar gestação ectópica de gestação intrauterina muito inicial?

A gestação ectópica é suspeitada quando há Beta HCG elevado que não duplica adequadamente e ausência de saco gestacional intrauterino com níveis de Beta HCG acima do limiar de visualização (1500-2000 mUI/mL), além de possíveis achados anexiais.

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