USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Mulher, 27 anos, está em uso do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) há 2 anos. Não tem comorbidades e nem gestação anterior. Comparece à unidade básica de saúde pois apresentou teste de gestação positivo e fez ultrassonografia transvaginal que mostrou gestação tópica de 7 semanas e presença de SIU-LNG intrauterino. Está preocupada sobre o que deve ser feito diante do fato de estar grávida com um SIU-LNG intrauterino. Além de encaminhar a paciente para pré-natal, orientar sinais de alerta de infecção e abortamento, qual alternativa contém a(s) conduta(s) mais adequada(s) baseada(s) nas evidências mais atualizadas?
Gestação com SIU-LNG → retirar DIU se fio visível para ↓ risco de aborto/infecção.
Em caso de gestação com SIU-LNG intrauterino, a conduta mais adequada é a retirada imediata do dispositivo se o fio for visível, pois isso reduz significativamente o risco de abortamento espontâneo e infecção intra-amniótica, sem aumentar o risco de aborto iatrogênico. Se o fio não for visível, a remoção é mais complexa e os riscos devem ser ponderados.
O sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) é um método contraceptivo altamente eficaz, mas falhas podem ocorrer, resultando em gestação intrauterina. A ocorrência de gravidez com um SIU-LNG in situ é uma situação clínica importante, pois acarreta riscos significativos para a gestação. A prevalência é baixa, mas o manejo adequado é crucial para o prognóstico materno-fetal. A fisiopatologia dos riscos associados à manutenção do SIU-LNG na gestação envolve um corpo estranho na cavidade uterina, que pode atuar como foco de infecção e irritação, levando a inflamação e contrações uterinas. O diagnóstico é feito por teste de gestação positivo e ultrassonografia que confirma a gestação tópica e a presença do SIU-LNG. Deve-se suspeitar de complicações se a paciente apresentar dor abdominal, sangramento ou febre. A conduta mais atualizada e baseada em evidências é a retirada imediata do SIU-LNG se o fio estiver visível, pois isso comprovadamente reduz o risco de abortamento espontâneo, parto prematuro e infecção intra-amniótica. Se o fio não estiver visível, a remoção é mais difícil e os riscos de tentar a retirada podem superar os benefícios, optando-se geralmente pela observação cuidadosa. O acompanhamento pré-natal deve ser rigoroso, com atenção aos sinais de alerta de infecção e abortamento.
Manter o SIU-LNG durante a gestação aumenta o risco de abortamento espontâneo no segundo trimestre, parto prematuro, infecção intra-amniótica e, em casos raros, sepse materna.
A retirada do SIU-LNG quando o fio está visível é um procedimento simples que reduz os riscos de aborto e infecção, sem aumentar o risco de aborto iatrogênico em comparação com a manutenção do dispositivo.
Se o fio não estiver visível, a remoção do SIU-LNG torna-se mais complexa e invasiva. Nesses casos, a decisão de remover ou manter o dispositivo deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios, e geralmente o dispositivo é mantido sob vigilância rigorosa.
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