HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Gestante, 40 anos, com 8 semanas de gestação, chega à consulta de pré-natal para levar exames realizados há 15 dias. É sua quarta gestação, teve um abortamento espontâneo e dois partos cesarianos. Não é tabagista, faz uso de carbamazepina 200 mg 3 vezes ao dia, com controle adequado das crises. Os resultados dos exames foram Hb: 11,7 mg/dL, Ht: 38%, Tipo sanguineo: A Rh negativo, Glicemia jejum: 90 mg/dL. Teste rápido HIV: negativo, Teste rápido sífilis: negativo, Sorologia Toxoplasmose: IgG positivo alta avidez, IgM negativo. Diante do caso, a médica de família e comunidade decidiu encaminhar a gestante para o pré-natal de alto risco. De acordo com os Protocolos da Atenção Básica - Saúde das Mulheres - Ministério da Saúde, 2016, entre as alternativas abaixo o motivo para esse encaminhamento é:
Epilepsia com uso de antiepilépticos (ex: carbamazepina) → gestação de alto risco.
A epilepsia, especialmente quando controlada com medicamentos antiepilépticos como a carbamazepina, é um fator que eleva a gestação para alto risco devido ao potencial teratogênico da medicação e ao risco de crises maternas durante a gravidez, que podem comprometer o bem-estar fetal.
A gestação em mulheres com epilepsia é considerada de alto risco devido a uma série de fatores que podem afetar tanto a mãe quanto o feto. A principal preocupação reside no uso de medicamentos antiepilépticos (MAEs), muitos dos quais possuem potencial teratogênico. A carbamazepina, por exemplo, é associada a um risco aumentado de defeitos do tubo neural e outras malformações congênitas, exigindo acompanhamento especializado e, idealmente, otimização da medicação antes da concepção. Além da teratogenicidade, o risco de crises convulsivas durante a gravidez é uma preocupação. Crises tônico-clônicas generalizadas podem levar à hipóxia fetal, trauma materno e, em casos graves, abortamento ou parto prematuro. O manejo da epilepsia na gestação busca um equilíbrio entre o controle das crises e a minimização da exposição fetal a MAEs, preferindo-se a monoterapia na menor dose eficaz. Outros fatores mencionados na questão, como idade materna avançada (40 anos), histórico obstétrico (abortamento e duas cesarianas) e Rh negativo, também são considerados fatores de risco. No entanto, a epilepsia com uso de carbamazepina é um motivo direto e de grande impacto para o encaminhamento ao pré-natal de alto risco, conforme os protocolos do Ministério da Saúde. Residentes devem estar cientes da importância de uma anamnese detalhada e da identificação precoce desses fatores para garantir um acompanhamento pré-natal adequado e multidisciplinar.
Os principais riscos da epilepsia na gestação incluem o potencial teratogênico dos medicamentos antiepilépticos (como a carbamazepina), o risco de crises convulsivas maternas que podem causar hipóxia fetal ou trauma, e complicações como pré-eclâmpsia e parto prematuro.
A carbamazepina é um medicamento antiepiléptico associado a um risco aumentado de malformações congênitas, como defeitos do tubo neural, fenda labial/palatina e anomalias cardíacas. Por isso, seu uso requer avaliação cuidadosa e acompanhamento especializado durante a gestação.
Além da epilepsia, outros fatores que podem classificar uma gestação como de alto risco incluem idade materna avançada (>35 anos), doenças crônicas (diabetes, hipertensão), histórico obstétrico desfavorável (abortos de repetição, partos prematuros), e incompatibilidade Rh.
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