UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2019
Vilma, 27 anos, procura recorrentemente a Unidade de Saúde da Família por queixas diversas, especialmente cefaleia, insônia e dores no corpo. Durante a consulta, relatou relação conflituosa com ex-marido e que sofreu violência física e psicológica durante o último ano do relacionamento. Na realização do genograma, representado abaixo, relatou que a mãe também foi vítima de violência doméstica por parte do seu pai. Leia as assertivas abaixo. Em seguida, baseando-se na descrição do caso e no genograma acima, assinale a alternativa correta: I - Padrões de relacionamento em gerações anteriores podem fornecer modelos implícitos de funcionamento familiar na próxima geração. No caso a situação de conflito dos seus pais se repetiu em seu relacionamento. II - O nascimento do último filho pode ter acentuado os conflitos existentes entre Antônio e Vilma e pode ter influenciado na separação do casal. III - A relação entre Vilma e seu pai era conflituosa. Estão CORRETAS as assertivas:
Genograma revela padrões familiares de violência, nascimento de filhos pode exacerbar conflitos conjugais.
O genograma é uma ferramenta valiosa na Atenção Primária à Saúde para identificar padrões familiares, incluindo a transmissão intergeracional da violência. A história de violência doméstica na família de origem (mãe e pai) e a repetição no relacionamento de Vilma ilustram essa transmissão. Eventos estressores como o nascimento de um filho podem intensificar conflitos preexistentes.
O genograma é uma ferramenta gráfica essencial na Medicina da Família e Comunidade, que permite aos profissionais de saúde visualizar a estrutura familiar, os padrões de relacionamento e os eventos significativos ao longo de pelo menos três gerações. No caso de Vilma, o genograma revela um padrão de violência doméstica que se repetiu em sua família de origem (mãe e pai) e em seu próprio relacionamento, ilustrando a transmissão intergeracional da violência. Essa ferramenta é crucial para compreender o contexto psicossocial do paciente e planejar intervenções adequadas. A violência doméstica é um problema de saúde pública com sérias repercussões físicas e psicológicas. A história de Vilma, com queixas de cefaleia, insônia e dores no corpo, é consistente com os impactos crônicos da violência. A identificação desses padrões através do genograma permite ao profissional de saúde abordar não apenas os sintomas, mas também as raízes do sofrimento, oferecendo suporte e encaminhamentos apropriados. Além disso, eventos de vida significativos, como o nascimento de um filho, podem atuar como estressores adicionais em relacionamentos já conflituosos, potencialmente exacerbando as tensões e contribuindo para a separação do casal. A assertiva III não pode ser confirmada apenas pelo enunciado, que foca na relação de Vilma com o ex-marido e a mãe com o pai, sem detalhar a relação específica de Vilma com seu pai. Portanto, as assertivas I e II são as corretas.
O genograma permite mapear as relações familiares ao longo de gerações, identificando padrões de comportamento, doenças e eventos significativos, como a violência. Ele visualiza a transmissão intergeracional de conflitos e a repetição de papéis.
A violência doméstica pode causar uma série de problemas de saúde física e mental, incluindo cefaleia crônica, insônia, dores musculoesqueléticas, ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático e aumento do risco de doenças crônicas.
O nascimento de um filho é um evento de grande mudança e estresse para o casal, podendo exacerbar tensões preexistentes, especialmente em relacionamentos já fragilizados. As novas responsabilidades e a privação de sono podem aumentar a irritabilidade e os conflitos.
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