UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2019
Aposentada de 71 anos, negra, natural de Recife e mãe de três filhos, faz salgadinhos para vender com o objetivo de aumentar a renda da família. É a segunda de uma prole de seis filhos. Seu pai e mãe já faleceram, ele de acidente vascular cerebral e ela em decorrência do diabetes. Seu marido, de 68 anos, é filho único do terceiro casamento de seu pai. Há seis anos, a paciente procura uma unidade básica de saúde (UBS) com frequência, apresentando, múltiplas queixas. Nos dois últimos anos, ela tem apresentado glicemia elevada (de 100 a 114mg/dL) além de ter hipertensão arterial, estar obesa (IMC = 34 kg/m²) e ser sedentária. Nega colesterol alto e tabagismo, faz uso irregular das medicações prescritas para a hipertensão. Há um ano, foi solicitado um TOTG que mostrou: glicemia de jejum (Gj) = 118mg/dL e pós-sobrecarga = 205mg/dL. Foi orientada a fazer uma alimentação saudável e atividades físicas regularmente para não ter complicações futuras. No princípio, o medo fez a paciente seguir as orientações recebidas, pois sua mãe ficou cega em decorrência do diabetes. Mas, como não sentia nada e teve a necessidade de realizar um trabalho extra para suprir as despesas da casa, primeiro abandonou a atividade física e, depois, relaxou com a alimentação. Na última consulta, relatou perda de peso (5kg), nictúria (acordava para urinar duas a três vezes) e estava com a pressão arterial elevada (150 x 90mmHg). Seus exames mostraram uma Gj = 235mg/dL, colesterol = 198mg/dL, HDL = 28mg/dL e triglicerídeo = 930mg/dL. Baseando-se no caso apresentado: Identifique a ferramenta que a equipe da UBS deve aplicar para compreender melhor as circunstâncias que envolvem a família da paciente, e cite dois critérios para a escolha dessa ferramenta.
Genograma = Estrutura/Hereditariedade. Ecomapa = Relações com o meio social.
O Genograma é a ferramenta de escolha para visualizar a estrutura familiar, padrões hereditários e dinâmicas relacionais ao longo de pelo menos três gerações.
Na Estratégia Saúde da Família (ESF), a compreensão do indivíduo inserido em seu contexto familiar é vital para o manejo de doenças crônicas como Diabetes Mellitus e Hipertensão. O caso apresenta uma paciente com baixa adesão devido a demandas financeiras e familiares intensas. O Genograma permite ao médico identificar que a paciente é o pilar da família, cuidando de múltiplos aspectos enquanto negligencia a própria saúde. Esta ferramenta auxilia no planejamento terapêutico singular (PTS), permitindo intervenções que considerem a rede de suporte e os medos ancestrais (como a cegueira da mãe) para pactuar metas reais de mudança de estilo de vida. Ao visualizar a árvore familiar, a equipe de saúde pode identificar outros membros que podem auxiliar no cuidado ou que também estão em risco, promovendo uma abordagem sistêmica e comunitária.
O Genograma (ou Familiograma) é a ferramenta ideal. Ele permite representar graficamente a estrutura familiar (3 gerações), o histórico de doenças (morte dos pais por AVC e DM) e a complexidade das relações (marido filho único, prole de 6 filhos), ajudando a entender o contexto de sobrecarga e os medos da paciente.
Os critérios principais incluem: 1) Necessidade de visualizar a composição e estrutura da família de forma rápida; 2) Identificação de padrões multigeracionais de saúde e comportamento; 3) Compreensão de eventos críticos do ciclo de vida e transições familiares que impactam o cuidado atual e a adesão terapêutica.
O Genograma foca na estrutura interna e história da família (quem são e como se relacionam internamente). O Ecomapa foca na relação da família com o meio externo (trabalho, igreja, UBS, vizinhança), sendo essencial para identificar redes de apoio social e fontes de estresse ambiental fora do núcleo familiar.
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