UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2016
MA tem 65 anos, viúva de JO há 10 anos, evangélica, doméstica aposentada há um ano e tem renda de dois salários mínimos. É mãe de FO, homem de 42 anos e MO, mulher de 36 anos. A filha e suas duas netas (SR, 19 anos e CM, 15 anos) moram com a avó desde que MO se separou do pai das meninas (VL) há seis meses. FO é solteiro, vive em um bairro distante; seu relacionamento com a mãe é conflituoso, pois ela não aceita sua orientação sexual. MA é muito próxima da neta mais velha, mas tem se desentendido com CM, pois acredita que ela está “se perdendo” com o namorado. Após o cadastramento, MA busca uma consulta espontaneamente na unidade de atenção primária devido à dor lombar que atualmente vem acompanhada de irradiação para o membro inferior esquerdo. Seu último atendimento foi há mais de um ano em um ambulatório hospitalar no centro da cidade. As mudanças de sua vida impediram seu retorno à consulta, mas ela manteve-se usando as medicações prescritas: metformin 850mg/dia e glibenclamida 5mg/d, além de diclofenaco de sódio para as “dores nas juntas”. Na consulta, é observada uma forte expressão de desânimo da paciente. São feitas as seguintes verificações: peso = 90kg, altura = 1,60m, IMC = 35, PA = 150 x 90mmHg, PR = 80/min., HGT = 180mg. Com base nesse caso, responda: Para melhor compreender os problemas que MA estava vivendo no ambiente familiar, o médico realizou um familiograma. Complete o familiograma, desenhando os símbolos gráficos que traduzem a relação entre MA, seu filho FO e sua neta SR. (VER IMAGEM)
Genograma: Linha tripla = muito próxima; Linha em zigue-zague = conflituosa.
O genograma é uma ferramenta visual essencial na Atenção Primária para mapear a estrutura familiar, relações afetivas e padrões hereditários, facilitando a compreensão do contexto biopsicossocial do paciente.
O genograma (ou familiograma) é uma representação gráfica de pelo menos três gerações de uma família, servindo como uma ferramenta diagnóstica e terapêutica fundamental na Estratégia Saúde da Família (ESF). Ele vai além da árvore genealógica ao incluir informações sobre a qualidade dos vínculos afetivos e eventos críticos de vida. Na prática clínica, ajuda a identificar o suporte social disponível para o paciente e como as dinâmicas familiares influenciam o processo saúde-doença. A padronização dos símbolos é crucial para a comunicação entre a equipe multiprofissional. Relações de conflito, como a descrita entre MA e seu filho FO, são marcadas por linhas sinuosas, enquanto a proximidade extrema com a neta SR é marcada por linhas triplas, refletindo alianças ou coalizões familiares que impactam diretamente na saúde mental e física dos envolvidos.
No genograma, as relações são representadas por linhas entre os membros. Uma linha reta contínua indica uma relação normal. Duas linhas paralelas indicam uma relação próxima, enquanto três linhas paralelas indicam uma relação muito próxima ou fundida. Linhas em zigue-zague ou quebradas representam relações conflituosas. Linhas tracejadas indicam relações distantes. Se houver uma combinação, como zigue-zague sobre linhas paralelas, indica uma relação próxima porém conflituosa.
O paciente índice (ou probando), que é a pessoa que motivou a consulta ou o foco da análise, é identificado no genograma através de uma linha dupla ao redor do seu símbolo (quadrado para homens, círculo para mulheres). Isso permite que qualquer profissional identifique rapidamente quem é o sujeito central daquela representação familiar específica.
O genograma permite ao médico de família visualizar rapidamente a composição familiar, transições de ciclo de vida e padrões de morbidade. Ele ajuda a identificar vulnerabilidades sociais e emocionais, além de auxiliar no diagnóstico de condições influenciadas pelo ambiente familiar, como transtornos psicossomáticos ou manejo de doenças crônicas, permitindo uma abordagem centrada na pessoa e sua rede de apoio.
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