Genograma na Prática Clínica: Interpretação e Uso

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2017

Enunciado

Mário, 42 anos, é pedreiro, e procura o médico generalista referindo sentir dor lombar, com irradiação para a face póstero-lateral de coxa esquerda, há 1 semana. Refere que a dor é de intensidade moderada e dificulta a realização de suas atividades na construção. Além disso, nos últimos 2 dias, tem tido dificuldade para dormir devido aos problemas da vida e para tentar parar de pensar nos problemas acaba assistindo TV até tarde na cama. Ao exame físico, o paciente tem Lasegue positivo do mesmo lado da dor. Ao abrir a ficha familiar, você acabou encontrando na pasta o genograma familiar feito pelo médico anterior da unidade.Sobre a abordagem de família e o genograma desse paciente. Responda:

Alternativas

  1. A) A relação conflituosa de Mário com seu sogro e com sua filha pode está prejudicando o seu sono.
  2. B) Trata-se de uma família ampliada, pois tem três gerações morando na mesma casa.
  3. C) Mário pode estar sem dormir pelos conflitos com a filha que é homossexual.
  4. D) A mãe do paciente morreu aos 72 anos de idade. seu pai ainda é vivo.
  5. E) Nenhuma das respostas acima.

Pérola Clínica

Genograma = representação gráfica de ≥3 gerações para identificar padrões relacionais e hereditários.

Resumo-Chave

O genograma é uma ferramenta essencial na Atenção Primária para visualizar a estrutura familiar, relações afetivas e histórico de saúde em pelo menos três gerações.

Contexto Educacional

O genograma é uma ferramenta gráfica fundamental na Medicina de Família e Comunidade (MFC), permitindo a visualização rápida da estrutura familiar e da qualidade dos vínculos entre seus membros. Ele utiliza símbolos padronizados para representar gênero, óbitos, uniões e tipos de relacionamento (conflituosos, próximos, distantes). Além da estrutura biológica, o genograma revela o contexto social e emocional do paciente, sendo crucial para o diagnóstico holístico. Na prática, o médico deve ser capaz de identificar não apenas quem mora com quem, mas como as interações familiares influenciam o processo saúde-doença. Erros comuns em provas envolvem a interpretação incorreta de símbolos de óbito ou a confusão entre o genograma e o ecomapa, que foca nas relações da família com a comunidade e serviços de saúde. A questão em tela reforça que interpretações precipitadas sem a visualização correta do gráfico levam a erros diagnósticos sobre a dinâmica familiar.

Perguntas Frequentes

O que define uma família ampliada no genograma?

Uma família ampliada ou estendida é caracterizada pela presença de parentes além do núcleo básico (pais e filhos), como avós, tios ou primos, residindo no mesmo domicílio ou mantendo forte dependência funcional. No genograma, isso é representado pela delimitação de quem coabita no mesmo espaço físico através de uma linha pontilhada ao redor dos membros daquela unidade residencial específica.

Quantas gerações devem constar em um genograma padrão?

Para que um genograma seja considerado tecnicamente completo e útil para análise clínica e hereditária, ele deve abranger no mínimo três gerações da família. Isso permite ao profissional observar padrões de comportamento, doenças recorrentes, causas de óbito e dinâmicas relacionais que se repetem ou evoluem ao longo do tempo, facilitando a compreensão do contexto do paciente.

Como o genograma auxilia no manejo da dor crônica?

O genograma permite ao médico identificar estressores psicossociais, como relações conflituosas ou eventos de vida estressantes, que podem atuar como gatilhos ou fatores de perpetuação para condições como a dor lombar crônica. No caso de Mário, a análise das relações familiares ajuda a contextualizar a insônia e a percepção da dor, permitindo uma abordagem biopsicossocial mais eficaz.

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