HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Lactente, sexo feminino, com 2 anos, é levada ao pronto atendimento com queixa de febre alta há 4 dias, acompanhada de irritabilidade intensa, recusa alimentar e lesões dolorosas na boca. A mãe relata que a menina começou a apresentar hiperemia gengival e pequenos pontos avermelhados na mucosa oral que evoluíram para úlceras dolorosas, além de halitose. Nega sintomas respiratórios ou diarreia. Na consulta, observam-se múltiplas vesículas e úlceras em lábios, língua, palato e gengiva, além de gengivite difusa com sangramento gengival espontâneo. A paciente está febril (T: 38,8ºC), em regular estado geral, hipoativa, hidratada, com discreta adenomegalia submandibular bilateral. Não há outras alterações ao exame sistêmico. Com base na principal hipótese diagnóstica, assinale qual alternativa é correta:
Febre alta + Gengivite hemorrágica + Vesículas difusas (lábio/língua/palato) = Gengivoestomatite Herpética.
A Gengivoestomatite Herpética Primária (GHP) é a manifestação inicial comum do HSV-1 em crianças, caracterizada por acometimento difuso da mucosa oral e gengivite intensa.
A Gengivoestomatite Herpética Primária é uma infecção viral comum entre os 6 meses e 5 anos de idade. O quadro clínico é marcado por pródromos de febre alta e irritabilidade, seguidos por lesões vesiculoulcerativas dolorosas e friabilidade gengival. O manejo foca no controle da dor (analgésicos sistêmicos) e manutenção rigorosa da hidratação. O uso de corticoides é contraindicado, pois pode exacerbar a replicação viral. O isolamento de contato é importante devido à alta transmissibilidade do vírus nas secreções orais durante a fase aguda.
A GHP (HSV-1) causa lesões em toda a cavidade oral, incluindo lábios e gengiva (que fica edemaciada e sangrante). A herpangina (Coxsackie) causa vesículas localizadas na região posterior (pilares amigdalianos, palato mole e úvula), sem causar gengivite difusa.
O aciclovir oral pode ser considerado se iniciado precocemente (primeiras 72h) em casos graves, pacientes imunocomprometidos ou para reduzir o tempo de febre e excreção viral, embora o tratamento na maioria dos imunocompetentes seja de suporte.
A principal complicação é a desidratação devido à recusa alimentar por dor intensa (odinofagia). Outras complicações incluem o panarício herpético (autoinoculação nos dedos) e a ceratoconjuntivite herpética, que é uma emergência oftalmológica.
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