HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Menina, 7anos de idade, portadora de paralisia cerebral, apresenta desnutrição grau III, distúrbio de deglutição e pneumonias de repetição que persistem mesmo após a colocação de uma sonda nasoenteral para alimentação. Endoscopia digestiva alta demostrou esofagite grau C de Los Angeles. Devido às dificuldades de alimentação, foi indicada a realização de gastrostomia. A melhor proposta cirúrgica para esta criança é:
Crianças com paralisia cerebral e disfagia grave + refluxo/pneumonia de aspiração → Gastrostomia + válvula antirrefluxo.
Em crianças com paralisia cerebral e disfagia grave, a gastrostomia é indicada para suporte nutricional. No entanto, se há evidência de refluxo gastroesofágico (RGE) grave e pneumonias de repetição, a associação de uma válvula antirrefluxo (como a fundoplicatura de Nissen) é crucial para prevenir aspiração e complicações pulmonares, que a sonda nasoenteral não resolveu.
Crianças com paralisia cerebral frequentemente apresentam distúrbios de deglutição (disfagia) devido ao comprometimento neurológico, o que as predispõe a desnutrição e pneumonias de aspiração. A gastrostomia é um procedimento comum para garantir a alimentação e hidratação adequadas. Para residentes, é vital compreender que, em casos de refluxo gastroesofágico (RGE) grave associado, a simples gastrostomia pode não resolver as complicações pulmonares, exigindo uma abordagem combinada. A fisiopatologia da disfagia na paralisia cerebral envolve disfunção dos músculos orofaríngeos e esofágicos, levando à incoordenação da deglutição. O RGE é comum nesses pacientes, exacerbado pela hipotonia e posição. O diagnóstico de RGE grave é feito por endoscopia (esofagite) e pHmetria/impedanciometria. A suspeita de necessidade de válvula antirrefluxo surge quando há pneumonias de repetição, mesmo com sonda ou gastrostomia, e evidência de RGE. O tratamento cirúrgico com gastrostomia associada à válvula antirrefluxo (geralmente fundoplicatura de Nissen) visa garantir a nutrição e prevenir a aspiração. O prognóstico melhora significativamente com a redução das pneumonias e da desnutrição. Pontos de atenção incluem a avaliação pré-operatória cuidadosa do RGE, a escolha da técnica cirúrgica e o manejo pós-operatório para otimizar a qualidade de vida da criança e reduzir a morbidade pulmonar.
A gastrostomia é indicada para garantir suporte nutricional adequado, prevenir desnutrição e melhorar a qualidade de vida em crianças com disfagia grave que não conseguem se alimentar oralmente de forma segura ou suficiente.
A válvula antirrefluxo (ex: fundoplicatura) é essencial em pacientes com refluxo gastroesofágico grave e risco de aspiração pulmonar, pois impede o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago e vias aéreas, prevenindo pneumonias.
As complicações mais comuns incluem desnutrição, desidratação, pneumonias aspirativas de repetição, bronquiectasias e comprometimento do desenvolvimento neuropsicomotor.
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