UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 75a, recebe visita médica do serviço de atendimento domiciliar, após internação por acidente vascular cerebral isquêmico e alimentação por sonda nasoenteral há sete meses. Acompanhante gostaria de iniciar dieta oral. Antecedentes pessoais: diabetes melito, hipertensão arterial e obesidade. Medicamentos em uso: metformina, losartana, ácido acetil salicílico e sinvastatina. Exame físico: PA = 140/90 mmHg; FC = 80 bpm; FR = 16 irpm; T = 36,5ºC; glicemia capilar = 140 mg/dL. Auscultas cardíaca e pulmonar sem alterações. Neurológico: paciente acamada, sonolenta, fala disártrica, com engasgos e tosse ao engolir saliva. Hemiparesia esquerda. A conduta é:
Disfagia grave pós-AVC > 4 semanas + necessidade de via alternativa → Gastrostomia (GTT).
Em pacientes com disfagia neurogênica persistente após AVC e necessidade de suporte nutricional por longo prazo (> 4-6 semanas), a gastrostomia é superior à sonda nasoenteral por reduzir complicações locais e melhorar o conforto.
A disfagia orofaríngea é uma complicação comum e debilitante do acidente vascular cerebral (AVC), afetando até 50% dos sobreviventes na fase aguda. Enquanto muitos recuperam a função em semanas, uma parcela significativa evolui com disfagia neurogênica crônica. O manejo nutricional deve ser escalonado: inicialmente utiliza-se a sonda nasoenteral (SNE) para suporte de curto prazo. No entanto, a SNE está associada a sinusites, lesões de asa de nariz e esofagite por refluxo quando usada cronicamente. A transição para a Gastrostomia Endoscópica Percutânea (PEG) é o padrão-ouro para nutrição enteral prolongada. A PEG melhora a qualidade de vida, facilita a administração de medicamentos e garante um aporte calórico-proteico mais estável. No contexto de cuidados domiciliares, como o apresentado na questão, a PEG é preferível para evitar reinternações por complicações da sonda ou aspiração, especialmente em pacientes com hemiparesia e baixo nível de alerta.
A gastrostomia (GTT) é indicada quando a necessidade de via alternativa de alimentação ultrapassa 4 a 6 semanas. No caso de sequelas de AVC com disfagia orofaríngea grave e persistente, a GTT oferece maior conforto ao paciente, menor risco de deslocamento acidental e evita complicações nasais e esofágicas associadas ao uso prolongado da sonda nasoenteral (SNE). Além disso, facilita o cuidado domiciliar e a manutenção do estado nutricional.
Sinais como tosse ou engasgos ao deglutir saliva, voz úmida, disartria grave e redução do nível de consciência são preditores de aspiração laringotraqueal. Em pacientes acamados e sonolentos, a ausência de reflexos de proteção de via aérea torna a dieta oral extremamente perigosa, sendo mandatória a manutenção de via alternativa de alimentação para prevenir pneumonia aspirativa, que é uma das principais causas de mortalidade pós-AVC.
Não. Embora a gastrostomia elimine a aspiração de alimentos oferecidos por via oral, o paciente ainda mantém o risco de pneumonia aspirativa por microaspiração de secreções orofaríngeas ou por refluxo gastroesofágico do conteúdo enteral. O manejo deve incluir higiene oral rigorosa, manutenção da cabeceira elevada durante e após a dieta e avaliação fonoaudiológica contínua para reabilitação da deglutição.
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