Gastrostomia Endoscópica Percutânea: Complicações e Manejo

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente feminino, 38 anos, internada há cerca de 30 dias por trauma cranioencefálico com necessidade de craniotomia descompressiva. Foi submetida a uma gastrostomia endoscópica percutânea (GEP) para estabelecer uma via alimentar. Em relação a está técnica, assinale a assertiva correta:

Alternativas

  1. A) Pacientes com laparotomia exploradora anterior não devem ser submetidos a GEP.
  2. B) Ar livre intraperitoneal após GEP é comum e pode persistir por até quatro semanas.
  3. C) Por questões de possibilidade de contaminação, a GEP só pode ser realizada em ambientes cirúrgicos.
  4. D) Uma contraindicação absoluta para a realização de uma GEP é o paciente estar em ventilação mecânica.
  5. E) Em pacientes com impossibilidade de passagem de sonda nasoenteral, a GEP é o método de escolha mesmo naqueles em coagulopatia grave.

Pérola Clínica

Pneumoperitônio pós-GEP é achado comum (até 50%) e benigno, podendo persistir por semanas sem peritonite.

Resumo-Chave

A GEP é o padrão-ouro para acesso enteral de longa duração (>4 semanas). O ar livre intraperitoneal sem sinais de peritonite não exige intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

A GEP revolucionou o suporte nutricional, sendo indicada para pacientes com trato gastrointestinal funcional que necessitam de via alternativa por mais de 4 semanas. O pneumoperitônio pós-procedimento ocorre pela entrada de ar durante a punção ou insuflação endoscópica; sua persistência por até 4 semanas é descrita, mas geralmente resolve-se em 7 a 10 dias. A técnica exige transiluminação positiva e o 'finger test' para garantir um trajeto seguro, evitando vísceras interpostas. A ventilação mecânica não é contraindicação, sendo comum em pacientes com TCE grave que necessitam de reabilitação prolongada.

Perguntas Frequentes

Pneumoperitônio após GEP é sempre cirúrgico?

Não, é um achado comum em até 50% dos casos devido à insuflação gástrica e escape de ar durante a punção. Se o paciente estiver assintomático e sem sinais de peritonite, a conduta é expectante, pois o ar pode persistir por até quatro semanas sem representar complicação grave.

Quais as contraindicações absolutas da GEP?

As principais contraindicações incluem coagulopatia grave não corrigida (INR > 1.5 ou plaquetas < 50.000), instabilidade hemodinâmica, peritonite ativa, ascite volumosa e interposição de órgãos (como o cólon) que impeça a transiluminação segura da parede gástrica.

Pode-se realizar GEP em pacientes com laparotomia prévia?

Sim, laparotomia prévia é uma contraindicação relativa. O sucesso do procedimento depende da capacidade de obter transiluminação e aposição gástrica adequada à parede abdominal, o que pode ser dificultado por aderências, mas não impossibilita a técnica.

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