Gastrosquise Neonatal: Diagnóstico e Manejo Inicial

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 35 semanas de gestação, é admitida em período expulsivo. Refere somente 3 consultas pré-natais, mas não sabe informar sobre medicações utilizadas na gestação, assim como doenças associadas. A via de parto é vaginal. Pediatra e obstetra visualizam exposição das alças intestinais do bebê, à direita do cordão umbilical. A principal hipótese diagnóstica e a melhor conduta terapêutica inicial é:

Alternativas

  1. A) extrofia de cloaca/atendimento ao recémnascido na sala de parto e proteção do conteúdo herniado com compressas úmidas
  2. B) onfalocele/atendimento ao recém-nascido na sala de parto e proteção do conteúdo herniado com compressas úmidas
  3. C) trauma abdominal pelo parto vaginal/proteção das alças intestinais, redução do conteúdo herniado e rafia da parede abdominal
  4. D) gastrosquise/proteção das alças intestinais expostas com saco plástico estéril, envolvendo a criança dos pés até o tórax

Pérola Clínica

Gastrosquise → alças intestinais expostas à direita do cordão umbilical; proteção imediata com saco plástico estéril.

Resumo-Chave

A gastrosquise é uma malformação congênita da parede abdominal caracterizada pela exposição das alças intestinais, geralmente à direita do cordão umbilical, sem saco herniário. A conduta inicial é proteger as vísceras expostas com saco plástico estéril para minimizar perda de calor, fluidos e risco de infecção, preparando o neonato para a correção cirúrgica.

Contexto Educacional

A gastrosquise é uma anomalia congênita da parede abdominal anterior, caracterizada pela herniação das vísceras abdominais, principalmente alças intestinais, diretamente para a cavidade amniótica, sem cobertura de saco herniário e geralmente localizada à direita do cordão umbilical. Sua incidência tem aumentado e o diagnóstico pré-natal é comum, permitindo o planejamento do parto em centros especializados. O diagnóstico diferencial principal é com a onfalocele, que se distingue pela presença de um saco herniário cobrindo as vísceras e pela inserção do cordão umbilical no ápice do saco. A fisiopatologia da gastrosquise envolve um defeito no fechamento da parede abdominal, resultando em exposição das alças a irritantes químicos do líquido amniótico, o que pode levar a inflamação e disfunção intestinal. O manejo inicial na sala de parto é crucial e foca na proteção das alças expostas com um saco plástico estéril, envolvendo o bebê dos pés ao tórax, para prevenir hipotermia, desidratação e infecção. A estabilização hemodinâmica e a correção cirúrgica, que pode ser primária ou em estágios (silo), são os próximos passos. O prognóstico é geralmente bom, mas complicações como atresia intestinal, necrose ou dismotilidade podem ocorrer.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da gastrosquise?

A gastrosquise é caracterizada pela exposição das alças intestinais e, ocasionalmente, de outras vísceras abdominais, diretamente para fora da cavidade abdominal do recém-nascido, geralmente à direita do cordão umbilical e sem a presença de um saco protetor.

Qual a diferença entre gastrosquise e onfalocele?

A principal diferença é a presença de um saco herniário: na onfalocele, as vísceras estão contidas em um saco coberto por peritônio e âmnio, com o cordão umbilical inserido no ápice do saco. Na gastrosquise, não há saco e as vísceras estão expostas diretamente.

Qual a conduta inicial para um recém-nascido com gastrosquise?

A conduta inicial é proteger as alças intestinais expostas com um saco plástico estéril, envolvendo o bebê dos pés ao tórax, para prevenir hipotermia, desidratação e infecção. É fundamental estabilizar o neonato para a correção cirúrgica.

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