MedEvo Simulado — Prova 2026
Letícia, 19 anos, primigesta, com pré-natal adequado, deu à luz um recém-nascido do sexo masculino, com 37 semanas de idade gestacional, por parto vaginal. Ao nascimento, o neonato apresenta boa vitalidade (Apgar 8 e 9), porém observa-se a presença de alças intestinais exteriorizadas através de um defeito na parede abdominal, localizado à direita da inserção do cordão umbilical, que se mantém íntegro. As alças intestinais não possuem membrana de revestimento e apresentam-se edemaciadas, com aspecto de fibrina em sua superfície. Diante desse quadro clínico, a conduta imediata mais adequada para a estabilização deste recém-nascido na sala de parto é:
Gastrosquise → Proteção com saco plástico estéril + Decúbito lateral (evita torção vascular).
A prioridade na gastrosquise é evitar a perda de calor e fluidos, além de prevenir a isquemia das alças por compressão do pedículo vascular na borda do defeito.
A gastrosquise é um defeito congênito da parede abdominal, geralmente à direita do cordão umbilical, caracterizado pela herniação de alças intestinais sem membrana protetora. Diferente da onfalocele, não costuma estar associada a síndromes genéticas, mas a exposição prolongada do intestino ao líquido amniótico causa uma serosite química (fibrina). O manejo inicial foca na 'regra de ouro': proteger, hidratar e descomprimir. A perda insensível de líquidos é massiva, exigindo reposição volêmica superior à de um neonato normal. O fechamento pode ser primário ou estagiado (com uso de silo), dependendo da complacência abdominal e do risco de síndrome compartimental abdominal, sempre priorizando a viabilidade intestinal.
O uso de saco plástico estéril transparente (ou 'bagging') é superior às compressas pois reduz drasticamente a perda de calor por evaporação e a perda de fluidos. Além disso, permite a visualização contínua da perfusão das alças intestinais sem a necessidade de manipulação direta ou remoção de curativos que podem aderir à serosa.
O posicionamento em decúbito lateral (preferencialmente direito) ajuda a evitar a angulação e compressão do pedículo vascular mesentérico pelo peso das alças sobre a borda do defeito da parede abdominal. Isso previne a isquemia intestinal aguda e o comprometimento do fluxo sanguíneo antes da correção cirúrgica definitiva.
Além da proteção das alças, é fundamental a passagem de uma sonda orogástrica calibrosa em drenagem aberta para descompressão gástrica (evitando distensão intestinal por ar), acesso venoso periférico para hidratação vigorosa (devido às perdas insensíveis) e manutenção rigorosa da termorregulação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo