UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 48 anos, é atendida com queixa de vômitos incoercíveis. Diagnosticado volvo gástrico. Durante o procedimento cirúrgico, observou-se que o volvo já havia se desfeito e o estômago não apresentava sinais de sofrimento vascular. A conduta mais adequada é:
Volvo gástrico reduzido sem isquemia → Gastropexia para prevenir recorrência.
Mesmo que o volvo se desfaça espontaneamente, a fixação do estômago (gastropexia) é mandatória para evitar novos episódios de torção e potencial necrose.
O volvo gástrico é uma condição rara, mas potencialmente fatal, caracterizada pela tríade de Borchardt: dor epigástrica aguda, vômitos violentos sem saída de conteúdo (vômitos incoercíveis) e dificuldade de passagem da sonda nasogástrica. O diagnóstico precoce e a intervenção cirúrgica são cruciais para evitar a necrose gástrica, que ocorre quando a pressão intraluminal e a torção vascular interrompem o suprimento sanguíneo. A estratégia cirúrgica baseia-se em três pilares: detorsão do estômago, avaliação da viabilidade tecidual e prevenção de recorrência. A gastropexia anterior, que consiste na fixação da grande curvatura ou da parede anterior do estômago ao peritônio parietal anterior, é a técnica mais utilizada para prevenir a rotação. Em pacientes idosos ou com alto risco cirúrgico, a gastropexia endoscópica percutânea (PEG) pode ser uma alternativa menos invasiva para fixação do órgão.
O volvo gástrico é uma emergência cirúrgica que ocorre devido à rotação do estômago sobre seu eixo organoaxial ou mesenteroaxial. Mesmo que o volvo se desfaça espontaneamente ou durante a manobra cirúrgica inicial, o defeito anatômico subjacente que permitiu a torção — geralmente a frouxidão dos ligamentos gástricos ou uma hérnia hiatal paraesofágica — permanece presente. Sem a fixação do estômago à parede abdominal anterior (gastropexia) ou a correção do defeito diafragmático, a taxa de recorrência é extremamente alta, podendo levar a episódios subsequentes de isquemia, necrose gástrica e perfuração. Portanto, a gastropexia é considerada o padrão-ouro para garantir a estabilidade anatômica a longo prazo, sendo um procedimento de baixa morbidade que previne complicações fatais.
Existem dois tipos principais: o organoaxial e o mesenteroaxial. O volvo organoaxial é o mais comum (cerca de 60%), ocorrendo quando o estômago gira em torno de seu eixo longitudinal (ligamento cardiopilórico). Está frequentemente associado a hérnias paraesofágicas e apresenta maior risco de isquemia e estrangulamento. O volvo mesenteroaxial ocorre pela rotação em torno do eixo transverso (pedículo vascular), sendo menos comum e geralmente idiopático ou associado a defeitos diafragmáticos. Ambos requerem intervenção para redução e fixação, mas o reconhecimento do tipo ajuda a identificar possíveis causas anatômicas associadas que também devem ser corrigidas durante o ato operatório.
A gastrectomia (parcial ou total) só é indicada no tratamento do volvo gástrico quando há evidência clara de sofrimento vascular irreversível, necrose transmural ou perfuração gástrica. Durante a laparotomia ou laparoscopia, o cirurgião deve avaliar a viabilidade do tecido após a detorsão. Se o estômago recuperar a cor rosada e apresentar peristalse ou sangramento ativo nas bordas, a preservação do órgão com gastropexia é a conduta correta. Caso o tecido permaneça enegrecido ou friável (gangrena gástrica), a ressecção torna-se obrigatória para evitar sepse abdominal fulminante. No caso clínico descrito, como não havia sinais de sofrimento vascular, a ressecção seria uma conduta excessiva e desnecessária.
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