INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020
Um homem de 45 anos queixa-se de episódios de vômitos paroxísticos e recorrentes há 6 meses, sem outras manifestações associadas. É portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, retinopatia diabética, gota e asma brônquica. Faz uso contínuo há 2 anos de enalapril, metformina e beclometasona inalatória. Ao exame físico, apresenta PA: 170X95mmHg, FC: 58bpm, FR: 15ipm, SpO₂: 98%. A ausculta respiratória revela raros sibilos expiratórios difusamente. Sem outras anormalidades ao exame físico. Exames de laboratório: creat: 1,4mg/dL (clearance de creatinina 52mL/kg/1,73m²); ur: 42mg/dL; Na: 131mEq/L; ácido úrico: 8,9mg/dL; GJ: 134mg/dL; HgA1c: 8,2%. Assinale, dentre as alternativas a seguir, a que apresenta o diagnóstico MAIS PROVÁVEL para os vômitos apresentados pelo paciente.
DM2 mal controlado + vômitos crônicos + microangiopatias → Gastroparesia diabética.
A gastroparesia diabética é uma complicação da neuropatia autonômica, comum em pacientes com diabetes mellitus de longa data e mau controle glicêmico, manifestando-se com vômitos recorrentes e esvaziamento gástrico retardado. A presença de outras microangiopatias (retinopatia, nefropatia) reforça a suspeita.
A gastroparesia diabética é uma complicação crônica da diabetes mellitus, caracterizada por um retardo no esvaziamento gástrico sem evidência de obstrução mecânica. É uma manifestação da neuropatia autonômica diabética, afetando até 50% dos pacientes com DM de longa duração, especialmente aqueles com controle glicêmico inadequado e outras microangiopatias, como retinopatia e nefropatia. Sua importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida do paciente e no controle glicêmico, devido à absorção irregular de nutrientes. A fisiopatologia envolve danos aos nervos vagos e entéricos, resultando em disfunção da motilidade gástrica. A suspeita diagnóstica surge em pacientes diabéticos com náuseas, vômitos recorrentes, saciedade precoce, plenitude pós-prandial e perda de peso. É crucial diferenciar de outras causas de vômitos, como obstrução mecânica ou efeitos colaterais de medicamentos. O diagnóstico é confirmado por um estudo de esvaziamento gástrico com refeição padronizada, que quantifica o retardo do esvaziamento. O tratamento da gastroparesia diabética é multifacetado, focando no controle glicêmico rigoroso, modificações dietéticas (refeições menores e mais frequentes, baixo teor de gordura e fibra) e uso de procinéticos (como domperidona ou metoclopramida) para acelerar o esvaziamento gástrico. Anti-eméticos podem ser usados para controle sintomático. Em casos refratários, outras terapias como estimulação elétrica gástrica ou cirurgia podem ser consideradas. O prognóstico está diretamente relacionado ao controle da doença de base e à adesão ao tratamento.
Os sintomas incluem náuseas, vômitos pós-prandiais, saciedade precoce, plenitude abdominal e perda de peso. A gravidade pode variar e os vômitos podem ser paroxísticos.
O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas, e confirmado por um estudo de esvaziamento gástrico, que demonstra o retardo no esvaziamento do estômago na ausência de obstrução mecânica.
O mau controle glicêmico crônico é um fator de risco significativo para o desenvolvimento e progressão da gastroparesia, pois contribui para a neuropatia autonômica que afeta a motilidade gástrica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo