Gastroparesia Diabética: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

Mulher, 64 anos, refere Diabetes Mellitus tipo 2 há 14 anos, em uso de insulina NPH e Regular (esquema basal bolus), Losartana, Sinvastatina e AAS. Vem à consulta queixando- se de sensação de plenitude gástrica há 6 meses, por vezes acompanhada de vômitos pós-prandiais com restos alimentares. Observou também controle glicêmico errático neste período. Neste caso, são bem indicadas as seguintes condutas, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Cintilografia e radiografia com bário são exames que auxiliam no diagnóstico desta doença. 
  2. B) O uso de antidepressivos tricíclicos e anticolinérgicos (Butilbrometo de escopolamina) é considerado tratamento de primeira linha.
  3. C) Fracionamento das refeições e dieta pobre em gordura são medidas de suporte, que auxiliam no controle dos sintomas.
  4. D) O uso de pró-cinéticos (Domperidona ou Metoclopramida) alivia os sintomas e melhora a qualidade de vida da paciente.
  5. E) Uso de marca-passo gástrico e abordagem cirúrgica restringem-se a casos refratários. 

Pérola Clínica

Gastroparesia diabética: pró-cinéticos e dieta são 1ª linha. Antidepressivos tricíclicos e anticolinérgicos NÃO são 1ª linha.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas clássicos de gastroparesia diabética, uma complicação da neuropatia autonômica. O tratamento de primeira linha envolve modificações dietéticas e uso de pró-cinéticos. Antidepressivos tricíclicos e anticolinérgicos não são tratamentos de primeira linha para gastroparesia e, na verdade, anticolinérgicos podem piorar o esvaziamento gástrico.

Contexto Educacional

A gastroparesia diabética é uma complicação crônica do Diabetes Mellitus, resultante da neuropatia autonômica que afeta o sistema nervoso entérico, levando a um retardo no esvaziamento gástrico sem obstrução mecânica. Pacientes com diabetes de longa data e controle glicêmico inadequado, como a paciente do caso, são particularmente suscetíveis. Os sintomas incluem plenitude pós-prandial, náuseas, vômitos de alimentos não digeridos, saciedade precoce e, consequentemente, controle glicêmico errático devido à absorção imprevisível de nutrientes. O diagnóstico da gastroparesia é feito principalmente pela cintilografia de esvaziamento gástrico, que quantifica o tempo de retenção de alimentos no estômago. Outros exames, como a endoscopia digestiva alta, são importantes para excluir obstrução mecânica. O manejo é multifacetado e visa aliviar os sintomas, melhorar a nutrição e otimizar o controle glicêmico. As condutas terapêuticas incluem modificações dietéticas (refeições menores e mais frequentes, dieta com baixo teor de gordura e fibras), otimização do controle glicêmico e o uso de pró-cinéticos como a domperidona ou metoclopramida, que aumentam a motilidade gástrica. Em casos refratários, podem ser consideradas terapias avançadas como o marca-passo gástrico ou abordagens cirúrgicas. Antidepressivos tricíclicos e anticolinérgicos não são tratamentos de primeira linha; os anticolinérgicos, em particular, podem agravar a condição ao inibir a motilidade gástrica.

Perguntas Frequentes

Quais exames auxiliam no diagnóstico da gastroparesia diabética?

A cintilografia de esvaziamento gástrico é o padrão-ouro para o diagnóstico, avaliando a velocidade de esvaziamento do estômago. A radiografia com bário pode mostrar retenção de contraste.

Quais são as principais medidas de tratamento para gastroparesia diabética?

O tratamento inclui modificações dietéticas (refeições pequenas e frequentes, dieta pobre em gordura e fibras), controle glicêmico rigoroso e uso de pró-cinéticos como domperidona ou metoclopramida.

Por que antidepressivos tricíclicos e anticolinérgicos não são tratamento de primeira linha para gastroparesia?

Antidepressivos tricíclicos não atuam diretamente na motilidade gástrica, e anticolinérgicos, como o butilbrometo de escopolamina, podem até piorar o esvaziamento gástrico ao inibir a contração muscular.

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