SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Mulher de 60 anos, portadora de diabetes mellitus do tipo 2 há 15 anos, em uso irregular de insulina e sem controle glicêmico adequado, procura atendimento médico devido a queixas de náuseas, plenitude pós-prandial e distensão abdominal. Refere episódios de vômitos alimentares mesmo após longos períodos em jejum. Nos últimos 7 meses, evidenciou uma perda ponderal de 8 kg. Nega dor abdominal associada aos sintomas. Realizou duas endoscopias recentes que evidenciaram resíduos alimentares gástricos em grande quantidade, mas sem lesões expansivas ou estenosantes no antro gástrico, piloro ou duodeno. Com base no caso clínico, assinale a alternativa correta:
Gastroparesia diabética = Neuropatia vagal por hiperglicemia crônica. Dx: Resíduo alimentar sem obstrução.
A gastroparesia é uma manifestação da neuropatia autonômica diabética, onde a hiperglicemia crônica lesa o nervo vago e as células de Cajal, retardando o esvaziamento gástrico.
A gastroparesia diabética é uma complicação debilitante que afeta significativamente a qualidade de vida e o controle glicêmico, criando um ciclo vicioso de absorção errática de nutrientes e insulina. O diagnóstico é clínico, reforçado por endoscopia (para excluir obstrução mecânica) e confirmado pela cintilografia de esvaziamento gástrico com sólidos (padrão-ouro). O manejo exige controle glicêmico rigoroso, ajuste dietético e suporte procinético. Em casos graves e refratários, terapias como a estimulação elétrica gástrica ou intervenções no piloro (G-POEM) podem ser consideradas, mas a base do tratamento permanece clínica e multidisciplinar.
A base é a neuropatia autonômica decorrente da hiperglicemia crônica, que causa estresse oxidativo e lesão neuronal. Há disfunção do nervo vago, perda de neurônios inibitórios nitrérgicos e redução das células intersticiais de Cajal (marcapassos gástricos), resultando em hipomotilidade antral e descoordenação pilórica.
Diferente da recomendação padrão para DM, a dieta deve ser pobre em fibras e gorduras, pois ambos retardam o esvaziamento gástrico. Recomenda-se refeições pequenas e frequentes, preferencialmente com consistência pastosa ou líquida, para facilitar a passagem do quimo pelo piloro.
Os procinéticos são a base farmacológica. A metoclopramida (antagonista dopaminérgico) é eficaz, mas seu uso prolongado é limitado por efeitos extrapiramidais. A domperidona é uma alternativa com menos efeitos centrais. A eritromicina (agonista da motilina) pode ser usada em pulsos para evitar taquifilaxia.
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