Gastroenterite Viral em Pediatria: Norovírus e Manejo

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, com 2 anos e 2 meses, iniciou quadro de diarreia aquosa hoje pela manhã, sem febre. Seus 2 irmãos, de 6 e 9 anos, começaram a apresentar vômitos durante a madrugada. Família relata que, há 3 dias, retornaram de um passeio em um parque com várias piscinas, onde outras crianças apresentavam os mesmos sintomas. Considerando os agentes etiológicos mais prováveis no contexto epidemiológico desse caso, seus mecanismos fisiopatológicos e seu manejo, assinale a afirmativa correta:

Alternativas

  1. A) E. coli enterotoxigênica é um agente relacionado a esse tipo de quadro, e o uso de antibioticoterapia por via oral, por 5 dias, é recomendado.
  2. B) Rotavírus é o agente mais relacionado aos quadros graves de desidratação, e esse agente não se relaciona com evolução para quadros de diarreia persistente.
  3. C) Shigella flexneri é, possivelmente, o agente mais relacionado ao quadro dessas crianças, relacionado à ingestão de alimentos contaminados ou insuficientemente cozidos.
  4. D) Norovírus e Adenovírus são, possivelmente, os agentes mais prováveis causadores desse quadro diarreico nessas crianças, e o tratamento pode incluir uso de antieméticos para controle do vômito e manutenção da hidratação.
  5. E) Giardia é o agente mais provavelmente relacionado aos quadros que evoluem com diarreia sanguinolenta.

Pérola Clínica

Norovírus = principal causa de surtos de gastroenterite (vômitos + diarreia) em todas as idades.

Resumo-Chave

Surtos em locais públicos como parques aquáticos sugerem agentes virais resistentes como Norovírus. O manejo foca em hidratação e controle sintomático de vômitos.

Contexto Educacional

A gastroenterite aguda (GEA) é uma das principais causas de morbidade na infância. Com a introdução da vacina contra o Rotavírus, o Norovírus emergiu como o principal patógeno viral em muitas regiões. A fisiopatologia envolve a destruição de enterócitos e a redução da capacidade absortiva do intestino delgado, levando a uma diarreia osmótica e secretora. O quadro clínico clássico combina vômitos súbitos seguidos por diarreia aquosa profusa. O pilar do tratamento é a Terapia de Reidratação Oral (TRO) com soluções de baixa osmolaridade. A manutenção da alimentação habitual é recomendada assim que a reidratação inicial for atingida. Antibióticos não são indicados para casos virais ou diarreias aquosas inespecíficas, devendo ser reservados para casos suspeitos de cólera ou disenteria grave por Shigella. O uso de zinco é recomendado pela OMS para reduzir a duração e gravidade do episódio.

Perguntas Frequentes

Por que o Norovírus é o principal suspeito em surtos em parques aquáticos?

O Norovírus é extremamente infectante e resistente a desinfetantes comuns, incluindo o cloro em concentrações habituais de piscinas. Ele é a causa mais comum de gastroenterite epidêmica em todo o mundo, afetando todas as faixas etárias. A transmissão ocorre por via fecal-oral, aerossóis de vômitos ou fômites, facilitando a disseminação rápida em ambientes fechados ou recreativos.

Qual o papel dos antieméticos no tratamento da gastroenterite aguda?

O uso de antieméticos, especificamente a ondansetrona em dose única, pode ser considerado em crianças com vômitos persistentes que dificultam a terapia de reidratação oral (TRO). O objetivo é reduzir a necessidade de hidratação venosa e hospitalização. No entanto, seu uso deve ser criterioso, avaliando-se o estado de hidratação e possíveis efeitos colaterais, como o prolongamento do intervalo QT.

Como diferenciar clinicamente a etiologia viral da bacteriana?

Quadros virais (como Norovírus e Rotavírus) geralmente apresentam diarreia aquosa, vômitos proeminentes e febre baixa ou ausente. Já etiologias bacterianas invasivas (como Shigella ou Salmonella) frequentemente cursam com febre alta, dor abdominal intensa, tenesmo e fezes com sangue ou muco (disenteria). O contexto epidemiológico de surto em locais públicos reforça a hipótese viral.

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