Vômitos em Crianças: Sinais de Alarme e Manejo

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina, de 4 anos de idade, é levada ao pronto-socorro por vômitos em moderada quantidade há cerca de 48 horas. A mãe relata que o quadro teve início súbito, associado com febre e redução do volume urinário nas últimas 24 horas. Relata que os primeiros vômitos continham restos alimentares, mas que se tornaram aquosos, amarelados, havendo ocorrência de raios de sangue nos últimos episódios. A mãe e a criança negam queixas no momento. Desde a admissão, a criança apresentou 2 episódios de vômitos amarelados. Encontra-se hipoativa, mas acordada e responsiva, afebril. Considerando o quadro clínico desta paciente, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A gastroenterite aguda é a principal causa de vômitos na emergência, devendo ser considerada a hipótese mais provável mesmo na vigência de sinais de alarme.
  2. B) O tratamento de vômitos envolve primariamente o uso de terapias farmacológicas, estando as medidas não farmacológicas reservadas apenas a casos específicos, não sendo bem embasadas para a prática clínica.
  3. C) O diabetes mellitus pode ser uma das doenças que se manifestam por meio de vômitos, pelo fato de poder cursar com gastroparesia.
  4. D) Nos pacientes com qualquer evidência de desidratação, é indicada a reposição endovenosa de fluidos para evitar a piora do quadro.

Pérola Clínica

Vômitos em crianças: Gastroenterite aguda é comum, mas sinais de alarme (sangue, hipoatividade, oligúria) exigem investigação cuidadosa.

Resumo-Chave

Mesmo em quadros sugestivos de gastroenterite aguda, a presença de sinais de alarme como vômitos com sangue, hipoatividade e redução do volume urinário indica a necessidade de uma avaliação mais aprofundada para descartar outras causas ou complicações, como desidratação grave ou condições cirúrgicas.

Contexto Educacional

Vômitos são uma queixa comum na pediatria, sendo a gastroenterite aguda a causa mais frequente. No entanto, é fundamental que o residente esteja atento aos sinais de alarme que podem indicar condições mais graves, como obstrução intestinal, apendicite, cetoacidose diabética, ou infecções do sistema nervoso central. A avaliação inicial deve focar na identificação do grau de desidratação e na presença desses sinais de alerta. A fisiopatologia dos vômitos pode variar desde irritação gástrica até estímulo do centro do vômito por toxinas ou distúrbios metabólicos. O diagnóstico diferencial é amplo e exige uma anamnese detalhada e exame físico completo. A presença de vômitos biliosos, com sangue, dor abdominal intensa, ou alteração do nível de consciência são indicativos de que a gastroenterite pode não ser a única ou a principal causa, necessitando de exames complementares. O tratamento inicial visa corrigir a desidratação, preferencialmente com terapia de reidratação oral. Anti-eméticos podem ser considerados em casos selecionados. A reposição endovenosa é reservada para desidratação grave ou falha da via oral. O prognóstico geralmente é bom para gastroenterites, mas depende do reconhecimento e manejo precoce de condições subjacentes mais sérias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme em crianças com vômitos?

Sinais de alarme incluem vômitos biliosos ou com sangue, dor abdominal intensa, distensão abdominal, letargia, hipoatividade, febre alta, cefaleia intensa, rigidez de nuca, desidratação grave e redução do volume urinário. A presença de qualquer um desses sinais exige avaliação médica imediata.

Quando a reposição endovenosa de fluidos é indicada para vômitos em crianças?

A reposição endovenosa é indicada em casos de desidratação grave, choque hipovolêmico, falha da terapia de reidratação oral (vômitos persistentes ou recusa em beber), ou quando há contraindicação à via oral. Em desidratação leve a moderada, a reidratação oral é a primeira escolha.

Qual o diagnóstico diferencial para vômitos com sangue em crianças?

Vômitos com raios de sangue podem indicar esofagite, gastrite, úlcera péptica, varizes esofágicas (raro em crianças sem doença hepática), ou lacerações de Mallory-Weiss. Em lactentes, deve-se considerar também a alergia à proteína do leite de vaca ou coagulopatias.

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