IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Criança com 4 anos é trazida à unidade de emergência pela mãe, em função de diarreia e febre há três dias. Mãe nega vômitos, sangue ou muco nas fezes, bem como quaisquer outros sintomas associados. Criança apresenta sede intensa, solicitando líquidos. Sua saturação de O₂ é de 98%, o tempo de enchimento capilar de 1 segundo e as mucosas coradas e hidratadas. A criança segue urinando normalmente, sem alterações à ausculta pulmonar e cardíaca, além de ter pressão arterial normal. A conduta mais acertada para o caso é prescrever:
Diarreia sem desidratação → Plano A: SRO + Zinco + Dieta habitual + Sinais de alerta.
O manejo da diarreia aguda foca na prevenção da desidratação. O uso de zinco reduz a duração e recorrência dos episódios, enquanto o SRO é o padrão-ouro.
A gastroenterite aguda é uma das principais causas de morbidade pediátrica global. A avaliação clínica rigorosa do estado de hidratação (nível de consciência, sede, turgor cutâneo e mucosas) direciona o tratamento entre os Planos A, B ou C. No caso apresentado, a criança está clinicamente hidratada (enchimento capilar normal, mucosas coradas), mas apresenta sede intensa, o que pode sugerir uma transição para desidratação leve. O tratamento conservador com reidratação oral, zinco e orientações é a conduta padrão, evitando intervenções invasivas desnecessárias e preservando a flora intestinal.
O Plano A é indicado para crianças com diarreia que não apresentam sinais clínicos de desidratação (alerta, olhos normais, sede normal, sinal da prega desaparece rápido). O objetivo é o tratamento domiciliar com aumento da oferta de líquidos, manutenção da alimentação, uso de SRO após cada evacuação e suplementação de zinco por 10 a 14 dias.
A suplementação de zinco é recomendada pela OMS e pelo Ministério da Saúde para todas as crianças com diarreia aguda. O zinco reduz a duração do episódio atual, diminui o volume das fezes e previne novos episódios de diarreia nos 2 a 3 meses subsequentes, agindo diretamente na regeneração da mucosa intestinal e na função imunológica.
O uso de antibióticos na diarreia aguda infantil é restrito a casos específicos, como disenteria (presença de sangue e muco nas fezes com comprometimento do estado geral), suspeita de cólera grave ou infecções bacterianas sistêmicas. A maioria das gastroenterites é viral ou autolimitada, não justificando o uso rotineiro de antimicrobianos.
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