Gastroenterite Aguda: Manejo da Desidratação e Internação

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 18 anos de idade, sem antecedentes pessoais e familiares relevantes, dirigiu‑se ao pronto‑socorro de um hospital municipal com náusea, vômitos, diarreia líquida sem produtos patológicos, mialgia, sensação febril e astenia. Esse quadro teve início dois dias antes da admissão, com piora no dia atual, com sete episódios de fezes líquidas nas últimas 24 horas. A paciente relatou inapetência e dificuldade para ingerir líquidos e comprimidos. Ao exame físico: afebril; regular estado geral; levemente desidratada; bem perfundida e com extremidades quentes; abdome flácido; um pouco de dor à palpação profunda difusamente; sem sinais de peritonite; e sinais vitais marcando PA de 110 x 75 mmHg e FC de 87 bpm.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta em relação à condução desse caso.

Alternativas

  1. A) A paciente necessita de uma tomografia de abdome devido à suspeita de complicações associadas ao quadro.
  2. B) A paciente deve ser internada em regime de enfermaria com hidratação endovenosa, antibioticoterapia endovenosa com ceftriaxone e metronidazol e sintomáticos.
  3. C) A paciente deve ser internada em regime de enfermaria com hidratação endovenosa, antibioticoterapia endovenosa com ceftriaxone em monoterapia e sintomáticos.
  4. D) A paciente deve ser internada em regime de enfermaria com hidratação endovenosa e sintomáticos.
  5. E) Deve ser realizado tratamento ambulatorial com hidratação oral, sintomáticos e sinais de alarme.

Pérola Clínica

Gastroenterite viral com desidratação leve/moderada e dificuldade de hidratação oral → internação para hidratação EV e sintomáticos.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro de gastroenterite aguda com sinais de desidratação leve e dificuldade de ingesta oral. Nesses casos, a internação para hidratação endovenosa é indicada para corrigir o balanço hidroeletrolítico e aliviar os sintomas, sem necessidade de antibióticos na ausência de sinais de infecção bacteriana invasiva.

Contexto Educacional

A gastroenterite aguda é uma condição comum, caracterizada por náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal, frequentemente acompanhada de sintomas sistêmicos como mialgia e astenia. Na maioria dos casos, a etiologia é viral e o quadro é autolimitado. O principal risco e a complicação mais comum é a desidratação, que pode variar de leve a grave. A avaliação do estado de hidratação é crucial para definir a conduta. A paciente do caso apresenta sinais de desidratação leve a moderada (levemente desidratada, dificuldade para ingerir líquidos) e vômitos persistentes que dificultam a reidratação oral. Embora esteja hemodinamicamente estável, a incapacidade de manter a hidratação oral é um forte indicativo para a necessidade de hidratação endovenosa. A conduta correta envolve a internação em enfermaria para administração de fluidos intravenosos (geralmente soro fisiológico ou Ringer lactato) e manejo sintomático (antieméticos, analgésicos). Antibióticos não são indicados rotineiramente, pois a maioria dos casos é viral e não há sinais de infecção bacteriana invasiva (como febre alta persistente, diarreia sanguinolenta ou sinais de sepse). A alta hospitalar pode ser considerada após a resolução dos vômitos e a capacidade de tolerar a hidratação oral.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para internação em casos de gastroenterite aguda?

Critérios incluem desidratação grave, falha na terapia de reidratação oral, vômitos incoercíveis, alteração do estado de consciência, dor abdominal intensa, sinais de toxicidade sistêmica ou comorbidades significativas.

Quando a hidratação endovenosa é preferível à oral na gastroenterite?

A hidratação endovenosa é preferível quando há vômitos persistentes que impedem a ingesta oral, desidratação moderada a grave, ou quando o paciente não consegue tolerar a solução de reidratação oral.

Quais são os sinais de desidratação leve a moderada em adultos?

Sinais incluem sede aumentada, boca seca, diminuição da elasticidade da pele, olhos encovados, diminuição da diurese, tontura e, em casos mais avançados, taquicardia e hipotensão postural.

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