Gastrite Autoimune e Anemia Perniciosa: Entenda a Conexão

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 34 anos, submete-se a endoscopia digestiva alta na qual se observa redução do pregueado mucoso no corpo gástrico. Exame anatomopatológico mostra gastrite crônica autoimune. Esse achado está frequentemente associado a:

Alternativas

  1. A) anemia perniciosa.
  2. B) hipercloridria.
  3. C) infecção pelo H. pylori.
  4. D) FAN positivo.
  5. E) linfoma gástrico de células B.

Pérola Clínica

Gastrite crônica autoimune → destruição células parietais → deficiência fator intrínseco → má absorção Vit B12 → Anemia Perniciosa.

Resumo-Chave

A gastrite crônica autoimune é caracterizada pela destruição das células parietais do corpo e fundo gástrico, levando à acloridria e, crucialmente, à deficiência de fator intrínseco. A ausência de fator intrínseco impede a absorção de vitamina B12 no íleo terminal, resultando em anemia perniciosa, uma anemia megaloblástica.

Contexto Educacional

A gastrite crônica autoimune é uma condição inflamatória do estômago que se desenvolve devido a uma resposta autoimune contra as células parietais da mucosa gástrica e/ou o fator intrínseco. Essa condição é mais comum em mulheres e pode estar associada a outras doenças autoimunes. A destruição progressiva das células parietais leva à atrofia da mucosa gástrica, resultando em acloridria (ausência de ácido clorídrico) e, crucialmente, na deficiência de fator intrínseco. O fator intrínseco é uma glicoproteína produzida pelas células parietais, essencial para a absorção da vitamina B12 (cobalamina) no íleo terminal. Sem fator intrínseco suficiente, a vitamina B12 não pode ser absorvida, levando a uma deficiência progressiva. Essa deficiência de vitamina B12 é a causa da anemia perniciosa, um tipo de anemia megaloblástica caracterizada por eritrócitos grandes e imaturos, além de manifestações neurológicas e gastrointestinais. O diagnóstico da gastrite crônica autoimune é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias gástricas, que mostram atrofia e infiltrado inflamatório no corpo e fundo gástrico. A presença de autoanticorpos (anti-célula parietal e anti-fator intrínseco) e baixos níveis séricos de vitamina B12 confirmam o diagnóstico de anemia perniciosa. O tratamento consiste na reposição parenteral de vitamina B12 por toda a vida. É importante monitorar esses pacientes devido ao risco aumentado de desenvolver tumores neuroendócrinos gástricos e adenocarcinoma gástrico.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características da gastrite crônica autoimune?

A gastrite crônica autoimune é uma condição inflamatória que afeta o corpo e o fundo do estômago, caracterizada pela presença de autoanticorpos contra as células parietais e/ou fator intrínseco. Isso leva à atrofia da mucosa gástrica, acloridria e deficiência de vitamina B12.

Como a gastrite autoimune leva à anemia perniciosa?

A destruição das células parietais na gastrite autoimune resulta na perda da produção de fator intrínseco, uma glicoproteína essencial para a absorção de vitamina B12 no íleo terminal. A deficiência prolongada de vitamina B12 causa anemia megaloblástica, conhecida como anemia perniciosa.

Quais são as manifestações clínicas da anemia perniciosa?

As manifestações clínicas da anemia perniciosa incluem sintomas de anemia (fadiga, palidez, dispneia), glossite (língua lisa e dolorosa), e sintomas neurológicos devido à desmielinização (parestesias, ataxia, perda de memória), que podem ser irreversíveis se não tratados precocemente.

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