Câncer Gástrico T4b: Conduta na Invasão de Órgãos Adjacentes

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 45 anos, sem outras comorbidades, desenvolveu câncer gástrico Boramann III. Estadiamento: favorável a ressecção cirúrgica. No inventário cirúrgico da cavidade, não se identificou disseminação linfonodal ou peritoneal da doença. No entanto, foi identificada aderência firme entre o estômago e parte do segmento III do fígado. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Gastrectomia com linfadenectomia D2 e ressecção hepática.
  2. B) Gastrectomia sem linfadenectomia e ressecção hepática.
  3. C) Lise da aderência e gastrectomia com linfadenectomia D2.
  4. D) Interromper procedimento e encaminhar para quimioterapia paliativa.

Pérola Clínica

Tumor gástrico T4b (invasão de órgãos adjacentes) sem metástases → Ressecção em bloco (R0).

Resumo-Chave

A aderência firme entre o tumor gástrico e órgãos adjacentes deve ser considerada invasão neoplásica (T4b). A conduta correta é a ressecção multivisceral em bloco para garantir margens R0.

Contexto Educacional

No tratamento do câncer gástrico localmente avançado (Borrmann III ou IV), o objetivo principal é a ressecção R0. Quando há invasão de órgãos vizinhos (T4b) e ausência de carcinomatose peritoneal ou metástases à distância, a ressecção multivisceral em bloco está indicada. Estudos mostram que a ressecção combinada (ex: gastrectomia + hepatectomia parcial) apresenta taxas de morbimortalidade aceitáveis e oferece a única chance de sobrevida a longo prazo, desde que a linfadenectomia D2 seja realizada adequadamente.

Perguntas Frequentes

O que define um tumor gástrico como T4b?

O estágio T4b ocorre quando o tumor invade diretamente órgãos ou estruturas adjacentes, como o pâncreas, fígado, baço, cólon ou diafragma.

Por que não se deve separar a aderência do tumor com o órgão vizinho?

Porque é impossível distinguir macroscopicamente se a aderência é inflamatória ou neoplásica. A separação pode causar a abertura da lesão (spillage) e comprometer a radicalidade da cirurgia (margem R1/R2).

Qual o papel da linfadenectomia D2 no câncer gástrico?

A linfadenectomia D2 (remoção dos linfonodos das cadeias perigástricas e dos ramos do tronco celíaco) é o padrão-ouro para o tratamento curativo, oferecendo melhor controle regional e estadiamento preciso.

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