HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Lactente do sexo masculino com 15 dias de vida em aleitamento materno exclusivo comparece a consulta de puericultura com sua mãe. Lactante hígida, relata mamadas frequentes (a cada hora em média), ofertando ambas as mamas a livre demanda, com queixa de dor importante ao amamentar. Antecedentes neonatais: recém-nascido a termo, de parto normal, sem intercorrências, apresentando peso de nascimento de 3.280g, estatura 50 cm e perímetro cefálico 34 cm. Ao exame físico, criança com bom estado geral, corado, hidratado, acianótico, afebril e eupneico, sem alterações ao exame específico. Dados antropométricos: peso 3.350 g, estatura 50,5 cm e perímetro cefálico 35,5 cm. A impressão sobre a amamentação e a orientação correta são:
Dor materna na amamentação + mamadas frequentes + ganho ponderal adequado = pega incorreta, reorientar e reavaliar.
O ganho ponderal de 70g em 15 dias (3.280g para 3.350g) é adequado para um recém-nascido, considerando a perda fisiológica inicial. A dor materna e as mamadas frequentes sugerem pega incorreta, que deve ser corrigida para evitar lesões mamilares e otimizar a transferência de leite.
A avaliação do ganho ponderal é um dos pilares da puericultura e um indicador crucial da eficácia do aleitamento materno. Nos primeiros dias de vida, é normal que o recém-nascido perca até 10% do seu peso de nascimento, recuperando-o geralmente até o 7º-10º dia. A partir daí, um ganho médio de 20-30g/dia é esperado. A dor materna durante a amamentação é um sinal de alerta importante, frequentemente indicando uma pega incorreta, que pode levar a lesões mamilares e, consequentemente, à diminuição da produção de leite e ao desmame precoce. A pega correta é fundamental para uma amamentação eficaz e indolor. Ela envolve o bebê abocanhando não apenas o mamilo, mas também grande parte da aréola, com a boca bem aberta e os lábios evertidos. A reorientação da pega deve ser a primeira intervenção em casos de dor materna ou suspeita de dificuldade na amamentação, antes de considerar qualquer tipo de suplementação. A reavaliação em curto prazo (15 dias) é apropriada para monitorar a resolução da dor materna, a melhora da pega e a manutenção do ganho ponderal adequado. A suplementação com leite materno ordenhado ou fórmula só deve ser considerada em situações específicas de falha de crescimento ou outras indicações médicas, sempre priorizando a manutenção do aleitamento materno exclusivo.
Nos primeiros 3-5 dias, o RN pode ter uma perda fisiológica de até 10% do peso de nascimento. A partir do 7º-10º dia, espera-se que recupere o peso de nascimento e ganhe cerca de 20-30g/dia.
Sinais incluem dor nos mamilos da mãe, mamilos rachados ou feridos, bochechas do bebê encovadas, ruídos de estalo durante a mamada, e o bebê não esvaziando a mama adequadamente.
A complementação só deve ser considerada em casos de ganho ponderal insuficiente comprovado, desidratação grave, hipoglicemia persistente ou outras condições médicas específicas, após esgotar as tentativas de otimizar a amamentação.
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