Gangrena de Fournier: Diagnóstico e Tratamento Urgente

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 52 anos, obesa, diabética, comparece ao pronto-atendimento queixando-se de febre alta e aparecimento de grande ferida dolorosa em região da vulva há 3 dias. Ao exame físico, observa-se a lesão abaixo: Sobre o diagnóstico e o tratamento desta condição, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A fasceite necrotizante do perineo, também chamada de gangrena de Fournier corresponde a uma infecção monomicrobiana das partes moles do perineo causada por cepas multi-resistentes de Staphylococcus aureus.
  2. B) Trata-se de uma infecção polimicrobiana causada por espécies anaeróbias (mais comumente Bacteroides e Clostridium) em combinação com enterobactérias (por exemplo, Escherichia coli, Klebsiella, Proteus).
  3. C) Diabetes, obesidade, hipertensão arterial sistémica e neoplasias malignas são considerados os principais fatores de risco associados e o tratamento depende da compensação clinica destas condições.
  4. D) O desbridamento cirúrgico deve ser realizado idealmente em até 72 horas do diagnóstico, associado a antibioticoterapia de amplo espectro e terapias de curativo à vácuo.

Pérola Clínica

Gangrena de Fournier = infecção polimicrobiana grave do períneo, anaeróbios + enterobactérias. Desbridamento cirúrgico URGENTE.

Resumo-Chave

A Gangrena de Fournier é uma emergência cirúrgica caracterizada por infecção necrotizante polimicrobiana do períneo, escroto ou vulva. A rápida progressão e alta mortalidade exigem desbridamento cirúrgico imediato e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios.

Contexto Educacional

A Gangrena de Fournier é uma forma rara, mas fulminante, de fasceíte necrotizante que afeta a região perineal, genital e perianal. É uma emergência urológica e cirúrgica com alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento rápido e intervenção agressiva. A condição é mais comum em homens, mas pode ocorrer em mulheres, como no caso apresentado, e em qualquer idade, embora seja mais prevalente em pacientes com comorbidades. A fisiopatologia envolve uma infecção polimicrobiana sinérgica, geralmente causada por uma combinação de bactérias anaeróbias (como Bacteroides e Clostridium) e enterobactérias (como E. coli, Klebsiella e Proteus). Essas bactérias produzem enzimas que causam trombose dos vasos sanguíneos subcutâneos, levando à necrose tecidual e à rápida disseminação da infecção ao longo dos planos fasciais. O diagnóstico é clínico, baseado na apresentação de dor intensa, eritema, edema, crepitação e necrose, frequentemente em pacientes com fatores de risco como diabetes. O tratamento é uma corrida contra o tempo e consiste em desbridamento cirúrgico radical e repetido de todo o tecido necrótico, associado a antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa. A cobertura deve incluir Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios. Medidas de suporte hemodinâmico, controle glicêmico e nutrição são igualmente importantes. A terapia de curativo a vácuo e a oxigenoterapia hiperbárica podem ser adjuvantes úteis, mas nunca substituem o desbridamento cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Gangrena de Fournier?

Os sinais incluem dor intensa e desproporcional à lesão cutânea, eritema, edema, bolhas, crepitação e necrose tecidual no períneo, acompanhados de febre e sinais sistêmicos de sepse.

Qual é o tratamento inicial mais importante para a Gangrena de Fournier?

O tratamento inicial e mais crucial é o desbridamento cirúrgico agressivo e imediato de todo o tecido necrótico, combinado com antibioticoterapia de amplo espectro que cubra bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e anaeróbias.

Quais são os principais fatores de risco para desenvolver Gangrena de Fournier?

Os principais fatores de risco incluem diabetes mellitus, obesidade, alcoolismo, imunossupressão (HIV, quimioterapia), malignidades, doença hepática crônica e trauma ou cirurgia prévia na região perineal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo