UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
A Gangrena de Fournier é uma doença infecciosa grave de partes moles, de rápida progressão, que acomete a região genital e áreas adjacentes, caracterizada por intensa destruição tissular, envolvendo o tecido subcutâneo e a fáscia. Também é conhecida como fascite necrotizante da região perineal. Considere as afirmativas abaixo e responda qual está INCORRETA.
Gangrena de Fournier: infecção grave perineal. Tratamento = ATB amplo + DESBRIDAMENTO CIRÚRGICO RADICAL e REPETIDO, não apenas drenagem local.
A Gangrena de Fournier é uma emergência cirúrgica que exige desbridamento agressivo e extenso de todo o tecido necrótico, frequentemente em múltiplas sessões. Embora antibióticos de amplo espectro e terapia a vácuo (VAC) sejam componentes importantes do tratamento, a descrição da cirurgia como 'drenagem local com instalação de dreno a vácuo com três vias' é insuficiente e incorreta para a abordagem inicial e principal.
A Gangrena de Fournier é uma forma rara, mas fulminante, de fascite necrotizante que afeta a região perineal, genital e perianal. Caracteriza-se por uma infecção polimicrobiana sinérgica que leva à trombose dos vasos subcutâneos, isquemia e necrose tecidual progressiva. Sua rápida progressão e alta mortalidade (até 50%) exigem reconhecimento e tratamento imediatos. A doença é mais comum em homens de meia-idade e idosos, especialmente aqueles com comorbidades como diabetes mellitus e imunossupressão. A fisiopatologia envolve a entrada de bactérias (aeróbias e anaeróbias) através de uma porta de entrada na pele ou mucosa, que proliferam e produzem enzimas e toxinas. Isso resulta em endarterite obliterante, trombose microvascular e isquemia, criando um ambiente anaeróbio propício para a progressão da necrose. O diagnóstico é clínico, baseado na dor intensa, edema, eritema, crepitação e necrose tecidual. Exames de imagem como tomografia computadorizada podem ajudar a determinar a extensão da infecção e a presença de gás nos tecidos moles. O tratamento é uma emergência cirúrgica e médica. Consiste em antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios) e, crucialmente, desbridamento cirúrgico agressivo e extenso de todo o tecido necrótico. Este desbridamento deve ser repetido quantas vezes forem necessárias até que todo o tecido desvitalizado seja removido. A terapia de feridas com pressão negativa (VAC) pode ser utilizada após o desbridamento inicial para otimizar a cicatrização. O suporte hemodinâmico e metabólico intensivo é fundamental para o manejo da sepse associada.
Os sinais e sintomas iniciais da Gangrena de Fournier incluem dor intensa e desproporcional à lesão aparente na região perineal ou genital, edema, eritema, crepitação à palpação, bolhas e necrose cutânea. Febre, taquicardia e hipotensão podem indicar sepse sistêmica.
O desbridamento cirúrgico é o pilar do tratamento da Gangrena de Fournier. Ele consiste na remoção agressiva e extensa de todo o tecido necrótico e desvitalizado, incluindo pele, tecido subcutâneo e fáscia, até encontrar tecido viável e sangrante. Frequentemente, são necessárias múltiplas sessões de desbridamento.
Os principais fatores de risco para Gangrena de Fournier incluem diabetes mellitus, alcoolismo, imunossupressão (por exemplo, HIV, uso de corticoides), doença vascular periférica, obesidade e idade avançada. Lesões traumáticas ou procedimentos cirúrgicos na região perineal também podem ser gatilhos.
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