UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Homem, 61 anos, obeso, alcoólatra e com diagnóstico prévio de DM tipo II mal controlado, há 7 dias, apresenta dor intensa na região perineal com progressão rápida e febre diária. Exame físico: edema e hiperemia do escroto, com áreas de flutuação e saída de conteúdo com odor fétido. Exames laboratoriais: leucocitose com desvio à esquerda e aumento das provas de atividade inflamatória. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Gangrena de Fournier: infecção perineal necrosante fulminante em imunocomprometidos (DM, alcoolismo) → dor intensa, edema, odor fétido.
A Gangrena de Fournier é uma fasceíte necrosante rapidamente progressiva do períneo e genitália, frequentemente associada a fatores de risco como diabetes mellitus, alcoolismo e obesidade. A suspeita clínica é crucial devido à rápida progressão e alta mortalidade, exigindo desbridamento cirúrgico urgente e antibioticoterapia de amplo espectro.
A Gangrena de Fournier é uma fasceíte necrosante polimicrobiana rapidamente progressiva que afeta o períneo, genitália e região perianal. É uma emergência urológica com alta morbimortalidade, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes mellitus, alcoolismo, obesidade e imunossupressão. A incidência é maior em homens, e a rápida identificação é crucial para o prognóstico. A fisiopatologia envolve uma infecção sinérgica por bactérias aeróbias e anaeróbias, levando à trombose dos vasos subcutâneos e necrose tecidual. Clinicamente, manifesta-se com dor intensa e desproporcional à lesão aparente, edema, eritema, crepitação e, em estágios avançados, bolhas, necrose e secreção fétida. O diagnóstico é predominantemente clínico, suportado por exames laboratoriais que mostram leucocitose e marcadores inflamatórios elevados, e exames de imagem podem ajudar a delimitar a extensão. O tratamento é uma emergência cirúrgica, consistindo em desbridamento agressivo e extenso do tecido necrótico, associado a antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios). O suporte hemodinâmico e o controle das comorbidades são fundamentais. O atraso no tratamento aumenta significativamente a mortalidade, que pode chegar a 20-50%.
Os principais fatores de risco incluem diabetes mellitus mal controlado, alcoolismo crônico, obesidade, imunossupressão (HIV, quimioterapia) e doenças vasculares periféricas. Essas condições comprometem a imunidade e a circulação local, favorecendo a progressão da infecção.
O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na apresentação de dor intensa e desproporcional, edema, eritema, crepitação e secreção fétida na região perineal. Exames laboratoriais mostram leucocitose e aumento de marcadores inflamatórios, e exames de imagem podem auxiliar na delimitação da extensão da necrose.
A conduta inicial é uma emergência cirúrgica, com desbridamento agressivo e extenso do tecido necrótico, associado a antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios). O suporte hemodinâmico e o controle das comorbidades também são fundamentais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo