SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Homem, 65 anos, diabético, com queixa de dor em região perineal, há cerca de cinco dias, que evoluiu com intensidade progressiva, edema e hiperemia importante, confusão mental e a presença de uma "mancha escura" no local (vide imagem). Acerca desta doença pode-se afirmar que:
Fournier = necrose de fáscia profunda; pele íntegra inicialmente mascara gravidade.
A Gangrena de Fournier é uma fasciíte necrotizante polimicrobiana que progride rapidamente pelas fáscias, exigindo diagnóstico clínico precoce e desbridamento agressivo.
A Síndrome de Fournier é uma forma específica de fasciíte necrotizante que acomete as regiões perineal, genital ou perianal. É caracterizada por uma infecção polimicrobiana sinérgica, onde bactérias aeróbias e anaeróbias produzem enzimas que causam endarterite obliterante, levando à isquemia e necrose tecidual. Pacientes diabéticos e imunossuprimidos são o grupo de maior risco. A progressão da necrose pode atingir velocidades alarmantes. O sinal de crepitação à palpação indica a presença de gás produzido por organismos anaeróbios, mas sua ausência não exclui o diagnóstico. A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica seguida de intervenção cirúrgica imediata para controle da fonte infecciosa, visando reduzir a alta mortalidade associada.
O diagnóstico pode ser retardado porque a infecção se dissemina rapidamente ao longo das fáscias profundas (Colles, Scarpa, Dartos) antes de manifestar sinais óbvios na pele. Inicialmente, o paciente pode apresentar apenas dor desproporcional ao exame físico, edema e hiperemia discreta, enquanto a necrose tecidual interna já é extensa.
Geralmente, os testículos são poupados da necrose na Gangrena de Fournier. Isso ocorre porque sua vascularização provém das artérias testiculares, que se originam diretamente da aorta abdominal, enquanto a infecção de Fournier afeta os tecidos irrigados por ramos das artérias pudendas externas e internas.
A antibioticoterapia de amplo espectro (cobertura para gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) deve ser iniciada imediatamente. No entanto, ela é apenas adjuvante. O tratamento definitivo e inegociável é o desbridamento cirúrgico urgente de todos os tecidos desvitalizados, que deve ser repetido conforme a progressão da doença.
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