Gangrena de Fournier: Diagnóstico e Manejo Urgente

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 62 anos, diabético e hipertenso não controlado, sofreu trauma na região perineal (quando caiu sentado) há cerca de 5 dias. No dia seguinte, passou a apresentar abaulamento na região perianal, acompanhado de hiperemia e saída de secreção amarelada. Relata também que passou a apresentar edema da bolsa escrotal, descamação e enegrecimento em alguns pontos da pele há 3 dias, além de odor fétido no local. Há 2 dias está apresentando febre. Ao exame físico da bolsa escrotal observa-se os achados conforme figura. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Fratura peniana.
  2. B) Hematoma pós-trauma.
  3. C) Trombose venosa profunda de vasos pélvicos.
  4. D) Gangrena de Fournier.

Pérola Clínica

Trauma perineal + DM + necrose tecidual rápida + odor fétido = Gangrena de Fournier, emergência cirúrgica.

Resumo-Chave

A Gangrena de Fournier é uma fasciite necrosante polimicrobiana fulminante do períneo, genitália e região perianal. Fatores de risco incluem diabetes mellitus e trauma local. A rápida progressão com necrose tecidual, edema, hiperemia, secreção e odor fétido é característica, exigindo desbridamento cirúrgico urgente.

Contexto Educacional

A Gangrena de Fournier é uma forma rara, mas grave e rapidamente progressiva, de fasciite necrosante que afeta a região perineal, genital e perianal. É uma infecção polimicrobiana, geralmente causada por bactérias aeróbias e anaeróbias, que se espalha rapidamente pelos planos fasciais, levando à necrose tecidual extensa e sepse. A condição é uma emergência urológica e cirúrgica, com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. Os fatores de risco para Gangrena de Fournier incluem diabetes mellitus (o mais comum), imunossupressão, etilismo crônico, doença renal crônica e trauma local ou procedimentos cirúrgicos na região. O quadro clínico inicial pode ser inespecífico, com dor e edema, mas rapidamente evolui para hiperemia, bolhas, crepitação, necrose da pele (enegrecimento) e odor fétido. A febre e os sinais de toxicidade sistêmica são comuns. O diagnóstico é clínico e deve ser suspeitado em pacientes com os fatores de risco e a apresentação característica. O tratamento é agressivo e urgente, consistindo em desbridamento cirúrgico radical de todo o tecido necrótico, antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) e suporte intensivo. A intervenção precoce é crucial para melhorar o prognóstico e reduzir a mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para Gangrena de Fournier?

Diabetes mellitus, etilismo crônico, imunossupressão, doença renal crônica e trauma local são os principais fatores de risco.

Quais os sinais e sintomas da Gangrena de Fournier?

Dor intensa e desproporcional, edema, eritema, crepitação, bolhas, necrose tecidual (enegrecimento), secreção purulenta e odor fétido na região perineal e genital. Febre e sinais de sepse são comuns.

Qual a conduta inicial na suspeita de Gangrena de Fournier?

Desbridamento cirúrgico agressivo e urgente de todo o tecido necrótico, antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) e suporte hemodinâmico.

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