Gangrena de Fournier: Diagnóstico em Pós-Operatório

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 66 a , submetido a transplante hepático por cirrose descompensada com meld 27. Apresentou sinais de hérnia inguinal encarcerada no 8° dia de pós operatório sendo submetido a cirurgia de urgência. Durante a exploração da região inguinal, observou-se hérnia de Richter mas sem sofrimento intestinal e por isso foi realizado a redução da hérnia e hernioplastia pela técnica de Lichtenstein. No décimo dia de pós operatório da hernioplastia, o paciente apresentou dor importante na região inguino-escrotal, associada a piora dos padrões infecciosos.De acordo com a imagem abaixo, qual o seu diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Gangrena de Fournier
  2. B) Balanopostite supurativa necrotizante
  3. C) Orquiepididimite gangrenosa
  4. D) Abscesso isquio-retal
  5. E) Doença enxerto versus hospedeiro ( GVHD )

Pérola Clínica

Dor inguino-escrotal + piora infecciosa pós-op em imunossuprimido → Suspeitar Gangrena de Fournier.

Resumo-Chave

A Gangrena de Fournier é uma fasciite necrotizante polimicrobiana do períneo e genitália, com rápida progressão e alta mortalidade, especialmente em pacientes imunocomprometidos (como pós-transplante hepático) e com fatores de risco como cirurgia recente.

Contexto Educacional

A Gangrena de Fournier é uma forma grave e rapidamente progressiva de fasciite necrotizante que afeta o períneo, genitália e região perianal. É uma infecção polimicrobiana, geralmente causada por uma combinação de bactérias aeróbias e anaeróbias, que se dissemina rapidamente pelos planos fasciais, levando à necrose tecidual extensa e sepse. Pacientes imunocomprometidos, como aqueles submetidos a transplante de órgãos (que utilizam imunossupressores) ou com doenças crônicas descompensadas (como cirrose hepática avançada), apresentam um risco significativamente aumentado de desenvolver infecções graves e atípicas. Uma cirurgia recente na região, como a hernioplastia inguinal, pode ser um portal de entrada para a infecção. A dor desproporcional, o rápido agravamento do quadro infeccioso e a presença de fatores de risco devem levantar a forte suspeita de Gangrena de Fournier. O diagnóstico precoce e a intervenção agressiva são cruciais para a sobrevida do paciente. O tratamento consiste em desbridamento cirúrgico urgente e extenso de todo o tecido necrótico, associado a antibioticoterapia de amplo espectro e suporte intensivo. Residentes devem estar cientes da gravidade e da necessidade de reconhecimento imediato dessa condição.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para Gangrena de Fournier?

Fatores de risco incluem diabetes mellitus, imunossupressão (ex: pós-transplante, uso de corticoides), etilismo, desnutrição, cirurgia recente na região perineal ou genital, e doenças crônicas como cirrose.

Quais os sinais e sintomas iniciais da Gangrena de Fournier?

Dor intensa e desproporcional à lesão aparente na região perineal/genital, eritema, edema, crepitação à palpação, bolhas e necrose tecidual. Febre e sinais de sepse são comuns.

Qual a conduta inicial na suspeita de Gangrena de Fournier?

O tratamento é uma emergência cirúrgica com desbridamento agressivo do tecido necrótico, associado a antibioticoterapia de amplo espectro (cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) e suporte hemodinâmico.

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