SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023
Homem, 70 anos. Diabético descompensado. Há um dia, apresentou dor, edema e hiperemia em bolsa escrotal. Nas últimas 6h apresentou choque séptico e foi submetido a desbridamento radical da região escrotal e períneo. Qual antibiótico abaixo deve estar prescrito no pós-operatório?
Gangrena de Fournier + choque séptico → desbridamento radical + ATB amplo espectro (Clindamicina para toxinas).
A Gangrena de Fournier é uma emergência urológica que exige desbridamento cirúrgico agressivo e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios. A Clindamicina é crucial para inibir a produção de toxinas bacterianas, que contribuem para a rápida progressão da doença e o choque séptico.
A Gangrena de Fournier é uma forma grave e rapidamente progressiva de fasciíte necrosante do períneo, escroto ou vulva, com alta morbimortalidade. É uma emergência cirúrgica, frequentemente associada a pacientes imunocomprometidos, como diabéticos descompensados, e caracterizada por infecção polimicrobiana envolvendo bactérias aeróbias e anaeróbias. O diagnóstico é clínico, com dor intensa, edema, hiperemia e crepitação, progredindo rapidamente para necrose tecidual e choque séptico. A fisiopatologia envolve a sinergia de bactérias que causam trombose dos vasos subcutâneos, levando à isquemia e necrose tecidual, com rápida disseminação da infecção. O tratamento é multimodal e agressivo, incluindo desbridamento cirúrgico radical e precoce, suporte hemodinâmico para o choque séptico e antibioticoterapia de amplo espectro. A Clindamicina é essencial no esquema, pois, além de sua atividade bactericida, inibe a produção de toxinas, melhorando o prognóstico e reduzindo a mortalidade associada a essa condição devastadora.
A Clindamicina é indicada por sua capacidade de inibir a síntese proteica bacteriana, reduzindo a produção de toxinas por bactérias Gram-positivas e anaeróbias, que contribuem significativamente para a gravidade da fasciíte necrosante e o choque séptico.
O desbridamento cirúrgico radical e precoce é a pedra angular do tratamento, pois remove o tecido necrótico e infectado, reduzindo a carga bacteriana e a produção de toxinas, sendo vital para controlar a infecção, prevenir a progressão e reverter o choque séptico.
Os principais fatores de risco incluem diabetes mellitus (especialmente descompensado), imunossupressão, alcoolismo, doenças hepáticas e renais crônicas, malignidades, e trauma ou infecções locais na região perineal.
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