UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Homem de 69 anos, diabético, com antecedente de amputação de membro inferior direito no nível da coxa, evoluindo com hiperemia difusa do hemi-escroto direito que acompanha o funículo espermático ipsilateral, associado a pontos de necrose cutânea escrotal, febre e DM queda do estado geral. Foi levado ao pronto- socorro por familiares para avaliação médica. A conduta mais adequada nesse caso é:
Gangrena de Fournier = Emergência cirúrgica → Desbridamento precoce + Antibiótico amplo.
A Gangrena de Fournier é uma fascite necrosante polimicrobiana da região perineal. O tratamento definitivo exige desbridamento cirúrgico imediato de todo tecido desvitalizado, não apenas antibióticos.
A Gangrena de Fournier é uma forma específica de fascite necrosante que acomete o períneo, escroto e região perianal. Frequentemente associada a comorbidades como Diabetes Mellitus e imunossupressão, sua fisiopatologia envolve uma infecção polimicrobiana sinérgica que leva à endarterite obliterante e consequente isquemia e necrose tecidual. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado por dor desproporcional, crepitação (enfisema subcutâneo) e áreas de necrose cutânea. A abordagem terapêutica deve ser agressiva. O desbridamento cirúrgico não deve ser postergado, visando a remoção de todo o tecido inviável. A reconstrução plástica é considerada apenas após a estabilização do quadro infeccioso e granulação da ferida.
O tratamento baseia-se em três pilares fundamentais: estabilização hemodinâmica precoce, antibioticoterapia de amplo espectro (cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) e, crucialmente, o desbridamento cirúrgico agressivo e imediato de todos os tecidos necróticos. A demora na intervenção cirúrgica é o principal fator prognóstico negativo, aumentando drasticamente a mortalidade.
A fascite necrosante progride rapidamente ao longo dos planos fasciais, muitas vezes estendendo-se além da área de hiperemia cutânea visível. O desbridamento deve prosseguir até que se encontre tecido saudável e sangrante. A manutenção de tecido desvitalizado perpetua o foco infeccioso e a resposta inflamatória sistêmica, levando à sepse e falência de múltiplos órgãos.
A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) pode ser utilizada como terapia adjuvante para inibir o crescimento de bactérias anaeróbias e estimular a cicatrização através da angiogênese. No entanto, ela nunca deve substituir ou atrasar o desbridamento cirúrgico, que permanece como a conduta prioritária e salvadora de vidas no manejo inicial da Gangrena de Fournier.
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